ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 30/05/2021

O escritor inglês Nick Couldry em sua obra ‘‘Por que a voz importa?’’, afirma que a sociedade neoliberal hodierna tende a silenciar os grupos menos favorecidos, privando-os do direito à igualdade. De modo inconteste, tal assertiva pode ser aplicada ao contexto da persistência da violência contra a mulher, uma vez que essa mazela ainda é realidade latente no Brasil. Logo, faz-se necessário analisar a omissão do Estado e da sociedade para desconstruir de vez essa patologia social.

Antes de tudo, é válido afirmar que a negligência da arena pública frente à aplicação dos direitos constitucionais às mulheres corrobora as agressões sofridas por esse grupo. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman dissertou sobre as ‘‘Instituições Zumbis’’, segundo o qual o Estado perdeu sua função social, mas manteve a sua forma. Nesse sentido, o Poder Público é, na visão de Bauman, uma instituição morta-viva, visto que encontra dificuldades em impor políticas efetivas capazes de garantir os direitos sociais -igualdade, liberdade e segurança- às mulheres. Essa ineficiência da esfera pública colabora, por sua vez, com a desvalorização das lutas dessa minoria por uma sociedade mais justa e igualitária, o que gera dor e receio nas vítimas pela ausência na prática de suas conquistas, como participação feminina na política. Prova disso foi o que aconteceu com a carioca Elaine Caparroz, brutalmente agredida pelo namorado na Barra da Tijuca. Desse modo, torna-se necessário uma maior atuação da arena pública para que vítimas, como Elaine não virem regra na contemporaneidade.

Além disso, destaca-se a omissão social como agravante do problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, é necessário que o homem alcance o esclarecimento para sair da condição de menoridade e pequenez. Porém, quando se observa o cenário da persistência da violência física e simbólica que as mulheres sofrem na hodiernidade brasileira, o pensamento kantiano mostra-se invalidado, uma vez que parte do corpo social parece está satisfeita com a situação de mediocridade descrita por tal filósofo. Essa inércia social pode ser vista, quando se percebe a perpetuação de ideias de que ‘’lugar de mulher é na cozinha’’ ou de que ‘’existem empregos que exigem terno e não saia’’. Tais concepções errôneas acerca da mulher acentuam drasticamente as agressões e ofensas vivenciadas pelas mulheres, que muitas vezes não seguem os padrões impostos. Dessa forma combater a mazela faz-se crucial.

Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para mitigar esse flagelo. Cabe ao Estado garantir os direitos às mulheres por meio de uma rigorosa aplicação das leis com multas e prisões para quem as desrespeitar. Ademais, é necessário que o MEC, em parceria com universidades, desenvolva projetos e debates acerca do assunto nas redes sociais em horários noturnos por meio de profissionais capacitados, como sociólogos e psicólogos a fim de valorizar o papel da mulher na realidade brasileira.