ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 02/06/2021
Ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura hodierna, o difícil combate à violência contra a mulher. A partir de uma análise do impasse vigente, percebe-se claramente que ele está vinculado não só à falta de ações mais efetivas do Poder Público, mas também no que tange à deficiente formação de indivíduos a partir das instituições construtoras de opinião.
Em primeiro plano, é irrefutável a ineficiência das autoridades governamentais na resolução desse problema, visto que ele persiste no contexto atual. De acordo com o sociólogo iluminista, John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, uma vez que, ao revogar o “Estado de Natureza” — momento em que o homem não é obrigado a seguir leis e tem total liberdade —, com objetivo de ser governado pelo Estado, os cidadãos esperam que esse amenize as mazelas sociais e funcione como agente preservador da ordem, o que não ocorre atualmente no Brasil. Em vista disso, o contrato é diariamente quebrado no país, posto que a igualdade de direitos e deveres não é efetivada.
Ademais, é irrefutável que atribuir uma atenção maior para a educação da sociedade detém um papel decisivo na resolução desse impasse, visto que o ensino possui papel transformador na vida das pessoas. Conforme o filósofo Immanuel Kant, é no problema da educação que está o segredo para o aperfeiçoamento da humanidade. Nesse sentido, podemos concluir que a instrução pedagógica é uma ferramenta poderosa que não só forma indivíduos conscientes de seus direitos e deveres, mas também os ensina a agir de maneira responsável na comunidade que estão inseridos. Assim, enquanto o Estado não pautar seriamente a educação para obter cidadãos responsáveis, o Brasil não conseguirá combater de modo efetivo a violência, seja física ou psicológica, que atinge as mulheres brasileiras.
Portanto, diante desse cenário nefasto, urge a necessidade de mudança no Ensino Básico do Brasil. Para isso, incumbe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, principal órgão intermediador de políticas educacionais no país, modificar a grade curricular das séries iniciais às finais. Essa ação deve ser realizada mediante a contemplação da Formação Cidadã e Ética, com a finalidade de originar pessoas conscientes de suas atitudes, reduzindo assim as agressões contra o sexo feminino. Dessa forma, por intermédio de ações responsáveis e efetivas o Brasil terá capacidade de superar um dos entraves mais preocupantes existente na sociedade atual.