ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 09/07/2021

No livro “É assim que acaba”, publicado em 2016, a autora, Colleen Hoover, retrata o cenário de um relacionamento abusivo e, por conseguinte, a violência física e psicológica sofrida pela personagem principal. Consoante a isso, a ficção torna-se realidade quando episódios de violência contra mulher persistem na sociedade brasileira e as vítimas são condenadas a enfrentar suas consequências. No que concerne a essa problemática, é impreterível realizar uma análise acerca das relações sociais e culturais no país.

A princípio, a Constituição Federal — promulgada em 1988 — assegura a todos os indivíduos o direito ao bem-estar e à segurança. Entretanto, a falta de políticas públicas eficientes que busquem garantir um ambiente seguro às mulheres evidencia a fragilidade desses direitos, que outrora foram garantidos na Carta Magna. Vale ressaltar, dados do Mapa da Violência, os quais constatam que o número de mulheres assassinadas passou de 1.353 para 4.465, entre os anos 1980 e 2010, um aumento de 230%. Logo, é visível o descaso do poder público em relação à violência vivenciada pelas mulheres, uma vez que o aumento de feminicídios é uma realidade recorrente.

Ademais, é inegável que a violência contra a mulher possui heranças na cultura patriarcal e misógina presentes na comunidade, no qual a mulher desempenha o papel de submissa perante ao homem. Segundo a filósofa Marilena Chaui, a violência é resultado de uma ideologia de dominação masculina produzida e reproduzida por homens e mulheres, ou seja, a mulher converte-se em um sujeito passivo, explorado e dominado. Nesse sentido, é nítida a naturalização dos abusos sofridos pelas mulheres e faz-se necessário ações que procurem mudar o cenário atual.

Portanto, perante o pressuposto, é imprescindível a adoção de medidas que busquem garantir a segurança às mulheres. À vista disso, é dever é dever do Estado, por meio da criação de casas de apoio, disponibilizar uma assistência psicológica e jurídica às mulheres, a fim de diminuir os casos de violência e de oferecer um bem-estar às vítimas. Somente assim, a ficção de a Colleen Hoover não será mais uma constante na sociedade, e as mulheres poderão usufruir de uma proteção verdadeira.