ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 28/07/2021

A série “Vikings” retrata a vida dos antigos nórdicos e uma das personagens principais, Lagertha, passa por um relacionamento abusivo, no qual ela era agredida várias vezes pelo marido. Sendo assim, fora das ficções e na realidade atual brasileira, muitas mulheres infelizmente ainda enfrentam essa mesma violência e outras, o que prejudica suas vidas e até saúde mental. Dessa forma, é nítido a problemática acerca da persistência da violência contra a mulher, que encontra suas raízes tanto no descaso público quanto na cultura machista.

Diante desse contexto, é indubitável o papel que o machismo enraizado na cultura brasileira exerce sobre a continuidade de práticas ofensivas contra as mulheres. Seguindo essa lógica, o filme “Estrelas Além do Tempo” mostra três mulheres iniciantes do meio acadêmico - que na época retratada (década de 60) era predominante masculino - e elas enfrentam muito preconceito e dúvidas sobre a capacidade de realizar as mesmas tarefas que um homem. Diante disso, nota-se uma enorme correspondência entre a ficção e a sociedade, na qual muitas mulheres ainda no século XXI são subjulgadas e inferiorizadas perante um homem, caracterizando o pensamento machista. Nesse sentido, é evidente a influência direta do machismo na permanência de altos índices de violência contra mulher, ao passo que apoiar esse pensamento e enxergar a mulher como um ser inferior e incapaz, muitas vezes significa achar que tem propriedade sobre ela e direito de ridicularizar, bater ou até assassinar mulheres.

Aliada a essa questão, o descaso de agentes públicos perante a violência contra a mulher é um aliado a permanência dos altos números desses crimes no Brasil. Portanto, ao analisar os dados das Secretárias de Segurança, observa-se que entre os casos que chegaram nas delegacias entre 2006 e 2011, cerca de 70% não foram nem julgados. Destarte, é importante ressaltar que a atuação do serviço público perante os casos de violência contra a mulher é imprescindível, ao ouvir as vítimas, investigar o caso e proteger dos agressores. Entretanto, no contexto brasileiro ainda há um número grande de casos sem serem analisados e julgados, principalmente pelo descaso dos agentes, como delegados e policiais, que não dão ouvidos as queixas de muitas mulheres, deixando-as desemparadas diante de um momento de extrema vulnerabilidade. Assim, é necessária a mudança desse cenário.

Urge, portanto que sociedade e estado juntos encontrem formas de impedir a persistência da violência contra a mulher no Brasil. Logo, cabe à população incentivar a veiculação de campanhas dismitificando o machismo, por meio de ações nas mídias sociais, a fim de conscientizar todas as pessoas. Ademais, cabe ao governo federal, implementar uma maior fiscalização do atendimento nas delegacias, por meio de câmeras e dados de eficiência. Somente assim, a realidade social será diferente da ficção.