ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 29/07/2021

Na canção “Manifestação”, membros da classe artística nacional vinculam a conquista de direitos sociais - como a segurança - à luta coletiva contra padrões de conduta ultrapassados ​​e, a longo prazo, desgastantes. Contudo, o contexto brasileiro ainda torna ao regresso de tais esforços quando se observa a persistência da violência contra a mulher na sociedade hodierna, uma ameaça ao caráter inclusivo dessas prerrogativas, que almejam o bem-estar comum. Por isso, é imperativo compreender sua ocorrência como resultado da negligência estatal e midiática.

Destarte, convém ressaltar a ausência das autoridades na resolução do problema. Prova disso é a pífia distribuição de anúncios - seja no meio urbano, ou no virtual - que incentivem a denúncia de casos de violência doméstica. Tal conjuntura, segundo a filosofia do pensador Thomas Hobbes, configura uma quebra do “Contrato Social”, pois, ao tentar abolir o estado de natureza humano - caracterizado pela conjectura de liberdade irrestrita -, o governo acaba perpetuando-o por não garantir plena saúde física aos alvos dessa transgressão. Assim, mesmo diante da modernização multiprofissional acarretada pela 3ª fase da globalização, a população ainda carece de medidas estatais que incentivem a criticidade quanto a abusos ao sexo feminino, fator redutor do IDH nacional.

Ademais, é prudente evidenciar a influência da precária abordagem, pelos veículos de informação, sobre a falta de suporte federal às mulheres vítimas de violência verbal - dada, em grande parte, pela prevalência da cultura do assédio - em ambientes públicos à perpetuação desta no Brasil. Nesse sentido, o panorama vigente apresenta semelhanças preocupantes com as mídias predominantes no final do século XIX, responsáveis ​​por, após a abolição da escravatura, prestar cobertura superficial sobre a inexistência da assistência governamental aos recém-alforriados, o que precedeu a indiferença generalizada para com a causa negra. Fica explícito, então, que, a partir da subexploração dessa pauta tão marcante, os noticiários desumanizam sua abrangência aos moldes primitivistas de seus antecessores. Logo, mais essa forma de opressão patriarcal ganha sustentação em sua omissão.

Portanto, a agressão físico-verbal contra a mulher deve ser combatida. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação e da Cidadania (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras, em instituições educadoras nacionais, acerca da temática, com destaque ao Norte e ao Nordeste, detentores, segundo levantamento feito pelo IBGE em 2019, dos menores índices federais de escolaridade, a fim de relacionar sua reverberação à negligência midiática. Somente assim a consciência coletiva continuará a progredir na ramificação de direitos sociais aos moldes de “Manifestação”.