ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 09/09/2021

No livro “O Conto da Aia”, é retratado o país distópico de Gilead, onde as pessoas do sexo feminino são rebaixadas a serem barrigas de aluguel, contra a vontade, ou a serem servas. Ao longo da trama, é revelado que essas mulheres, e toda a sociedade, vivem numa enorme ignorância e que as diretrizes que as protegiam foram extintas, podendo elas serem castigadas verbal e fisicamente, caso não sejam submissas. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no livro pode ser relacionada ao Brasil: mesmo com leis de combate à agressão contra a mulher, como a Maria da Penha, e por elas não serem efetivamente aplicadas, a violência ao sexo feminino perdura, tornando o país uma sociedade violenta, semelhante a Gilead.

Pimeiramente, é importante destacar que, apesar de denunciado, o agressor acaba por ser solto, pois apenas 33% dos casos são julgados e o criminoso preso, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça. Assim, afirma o G1 com o registro de 1314 feminicídios em 2019, a vítima continuará à mercê do violentador, já que ele permanecerá solto e podendo matá-la, aumentando assim as estatísticas de ódio as pessoas do sexo feminino.

Além disso, diversas denúncias não chegam a acontecer. Apesar de os tempos do Brasil Colonial, quando as pessoas viam como benéfico a esposa ser castigada, terem ficado há séculos atrás, esse comportamento ainda é normalizado, pois, assim como qualquer ensinamento familiar, esse pensamento é passado por gerações. Em função disso, a BBC diz que as denúncias são evitadas pela mulher não saber que é violentada e/ou crer que será desacreditada. Com isso, entende-se o porquê da agressão resiste nesse país. Já dizia o filósofo Jean-Paul Sartre que não importa como é manifestada, a violência é sempre uma derrota.

Portanto, é mister que a Organização dos Advogados do Brasil (OAB), coloque à disposição mais defensores públicos, para defender as vítimas e fazer com que as leis já existentes sejam aplicadas. Em paralelo, é dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, por meio de campanhas publicitárias na televisão e na internet, conscientizar e reeducar a população, mostrando que a agressividade não é normal e é repudiável. Somente dessa forma, é possível chegar ao objetivo que se tem em vista: frear a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.