ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 11/08/2021

No livro “Amor Amargo”, de Jennifer Brown, é descrita a vida de uma adolescente que vive em um relacionamento abusivo, no qual sofre tanto violência psicológica quanto física. Fora da ficção, tal situação ocorre com várias brasileiras, visto que, segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres, houveram 237 mil relatos de violência em seu serviço telefônico em 2015. E, embora seja uma grave realidade, ainda há sua persistência, a qual surge como subproduto do machismo enraizado e da falta de debates sobre o assunto.

Em primeiro plano, deve-se pontuar que o pensamento machista existente na sociedade brasileira é o principal causador desse impasse. Na série “Brooklyn 99”, da Netflix, a personagem Amy Santiago discute com seu namorado acerca das diferenças de tratamento de gênero dentro do ambiente policial, relatando uma das ocorrências em que duvidam que ela trabalhava como tenente mesmo estando uniformizada. Nesse contexto, a situação representada é um exemplo de como o machismo se configura no país, inferiorizando a mulher ao atribuir-lhe características como frágil e fraca; enquanto ao homem, possessivo e forte. Desse modo, a violência continua ocorrendo, uma vez que essa concepção que objetifica a mulher permanece intacta.

Por conseguinte, a falta de debates sobre a temática tem íntima conexão com a permanência. Isso porque, segundo a socióloga Hannah Arendt, a banalidade do mal ocorre quando as pessoas realizam ações sem refletir sobre elas, naturalizando-as. Sob essa perspectiva, pode-se inferir que os indivíduos que convivem em ambientes machistas acabam naturalizando essas atitudes ao não questionarem sobre. Assim, sem debates, ficam alienados e podendo praticar violência contra as mulheres, perpetuando-a.

Portanto, tendo em vista os alicerces supracitados, é imprescindível haver ações para modificar a realidade das brasileiras. Para tanto, cabe ao Estado - cuja função é assegurar a segurança de todos os cidadãos - combater a violência contra as mulheres por meio de palestras de conscientização sobre o assunto, promovendo debates nas escolas. Essa atitude teria como objetivo a reflexão acerca do contexto, para que haja a partir disso uma mudança nos comportamentos machistas ainda existentes. Com isso, os casos irão decair e menos mulheres sofrerão os abusos vistos em “Amor Amargo”.