ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 25/08/2021
Durante a obra cinematográfica “Escritores da Liberdade”, é retratado a realidade da professora Erin Gruwell, a qual chega a uma escola periférica impregnada pela agressividade e por todo tipo de violência. Em consonância com a ficção, o cotidiano atual assemelha-se de certo modo, haja vista que situações alarmantes como a violência contra a mulher na sociedade brasileira, ainda configura um desafio a ser sanado. Dessa forma, urge averiguar não somente o impacto da ignorância social frente ao tema, mas também a negligência estatal.
Primordialmente, cabe analisar a notória influência dos aspectos socioculturais na manipulação comportamental de cada cidadão brasileiro. Segundo Immanuel Kant, a formação do caráter humano decorre, principalmente, do ensino que lhe é ofertado, pois, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. No entanto, é lógico perceber que a falta de informações a respeito de temas persistentes na sociedade, coopera para que fatos sociais como o machismo, o qual impacta diretamente em atos de violência feminina, continuem a existir. Assim, a carência de conhecimentos acerca do modo, sobre quando e como agir em situações que envolvam alguma categoria de agressão contra a mulher, corrobora, infelizmente, para a tomada de decisões equivocadas.
Outrossim, congruente a Émile Durkheim: “Os laços sociais são as normas que todos aprendem a respeitar e que sem eles tudo seria um caos”. Com isso, nota-se a essencialidade da existência de um regimento que assegure o controle social. Entretanto, a displicência do governo contribui para a desordem, pois, a existência de leis que visem coibir atos de violência contra a mulher, como a Lei Maria da Penha, necessitam de um respaldo estrutural para serem efetivas. Portanto, a escassez de políticas públicas que viabilizem propagar informações sobre como agir adequadamente ao ser vítima de atitudes misóginas, perpetuam comportamentos culturais hediondos e dificultam o progresso na nação.
Em síntese, convém elaborar medidas que objetivem intervir sobre os impasses apresentados. Indubitavelmente, compete ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, investir na ampliação de campanhas que busquem apresentar para a população quais são os recursos existentes para se denunciar os crimes de violência contra a mulher. Isso pode ser feito por meio da divulgação de cartazes informativos, nos mais diversos meios de comunicação (internet, televisão etc.) e repleto de dados como os números telefônicos e as delegacias especializadas no combate ao feminicídio. Sendo assim, tal ação possuirá a finalidade de auxiliar a população brasileira na batalha contra a persistência de condutas tóxicas perante a sociedade.