ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2021

A Lei Maria da Penha, homenagem à mulher cujo marido tentou matá-la duas vezes e que desde então se dedica à causa do combate à violência contra mulheres, cria mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a figura feminina em conformidade com a Constituição Federal. No entanto, mesmo que a lei assegure a integridade física das brasileiras, é visível que agressões contra esse grupo ainda são uma triste realidade no Brasil. Isso se evidencia não só pela sociedade patriarcal no país, como também pela falta de uma educação que valoriza o papel da mulher no mundo hodierno.

Sob essa ótica, deve-se ressaltar que esse patriarcalismo advém de uma decorrência do Brasil. Historicamente, as mulheres eram desrespeitadas e submetidas a péssimas condições de vida, visto que a igreja, grande responsável pelo pensamento social e cultural na época, estigmatizou a figura feminina na Idade Média por ser considerada, sendo vista como um ser inferior física e intelectualmente e responsável pelas desgraças do homem. Atualmente, observa-se fragmentos dessas ideias desprovidas de razão em nossa sociedade, visto que o gênero masculino é julgado como superior em relação a outros gêneros, por isso, é possível verificar uma base de privilégios para os homens. Assim, percebe-se que a sociedade patriarcal enraizada no país é um grave empecilho no Brasil.

Outrossim, vale salientar como a carência da valorização da mulher na escola influencia diretamente na resolução dessa problemática. Segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, uma frase reveladora do papel fundamental da educação na sociedade, posto que ela faz parte de um processo único de aprendizagem associado às formações escolar, familiar e social. Diante dessa perspectiva, a deficiência desse sistema na valorização do papel da mulher na sociedade gera negligentes e alienados que disseminam esses julgamentos que ferem os direitos femininos no país. Logo, tem-se uma educação da educação no combate à violência contra a mulher no Brasil.

Infere-se, portanto, uma situação complexa que envolve a violência contra a mulher no Brasil contemporâneo. Destarte, urge que as escolas, principal formadora da moral, por meio da abordagem do tema em sala, adicionem às aulas de história, sociologia e filosofia a importância do papel feminino na sociedade, sob uma visão ética, racional e histórica, a fim de criar obrigados que reconheçam a real excluída desse grupo e que desconstruam o patriarcalismo presente em nosso país. Espera-se, com essa medida, que as mulheres sejam respeitadas e que casos como o de Maria da Penha não se repitam.