ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 29/08/2021

Simone de Beauvoir, filósofa francesa, afirmava que as construções de gênero são eventos sociais e, portanto, evolutivos, endossado por sua máxima de que ninguém nasce mulher, torna-se uma. Entretanto, ao longo da história, acreditou-se que os homens eram mais fortes, intitulando as mulheres em contextos sociais de “sexo frágil”. Consoante a isso, é grave o cenário de persistência da violência contra a população feminina na sociedade brasileira, haja vista o silêncio permissivo diante de fatos ocorridos e denunciados, bem como a existência das mais diversas expressões de ódio disfarçadas.

Nesse cenário, é persistente o lamentável cenário de supremacia masculina, mesmo que de forma silenciosa. Nesse sentido, o Mapa da Violência mostra que, nos últimos 30 anos, mais do que triplicou o número de assassinatos de mulheres, evento conhecido como feminicídio. Tal evidência é grave e incoerente, afinal já se passaram séculos do período colonial brasileiro, época na qual o patriarcalismo, sexismo e machismo foram enraizados como parte de uma cultura existente, porém repugnante. Destarte, ainda que o tempo cronológico caminhe positivamente, a ausência de punições efetivas em tempo hábil é um lamentável fato que endossa políticas vexatórias contra as mulheres.

Outrossim, é inegável que a prática da violência doméstica feminina, sob as mais diversas faces, pode vir revestida de um falso altruísmo perverso e criminoso. Sob essa perspectiva, dados da Central de Atendimento à Mulher apontam que, aproximadamente 52% dos relatos tratam de violência física, 32%, psicológica e 10%, moral. Ademais, uma propaganda recente, protagonizada por atrizes renomadas da “TV Globo”, tem alertado essa parte da população acerca do fato de que discussões, vozes alteradas e força física em superfícies são expressões violentas por parte dos homens. Diante dessa evidência, é imperioso que as mulheres não tolerem sob qualquer justificativa expressões que carreguem consigo ódio ou intolerância, sob pena de não rompimento com a cultura machista ainda vigente no âmbito brasileiro.

É urgente, portanto, que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos crie políticas públicas, em conjunto com ONGs de apoio à causa feminina, por meio de campanhas publicitárias que veiculem informações sobre as mais variadas formas de violência – física, psicológica e verbal, por exemplo. Tais ações devem ser disseminadas nos mais variados veículos midiáticos - canais televisivos, de radiodifusão e redes sociais -, além de serem acompanhadas de formas concretas de efetivação das denúncias, como o 180, Central de Atendimento à Mulher. Em suma, a finalidade dessas campanhas é de colocar um ponto final no machismo estrutural que permeia a sociedade brasileira, como também trazer à tona os atos violentos camuflados de platonismo amoroso.