ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 31/08/2021

Grécia antiga, Revolução Francesa e Brasil Império. Esses são apenas alguns dos diversos momentos históricos que construíram a concepção de mundo da sociedade atual. Sendo assim, percebe-se, como consequência da marginalização da mulher nesses períodos, a criação de uma lógica que acredita na inferioridade feminina. Dessa forma,  as mulheres são constantemente deslegitimadas e os homens ensinados a desrepeita-lás, levando a persistência da violência.

Seguindo essa linha de raciocínio, nota-se que a construção histórica e social do papel das mulheres é responsável pela opressão desse grupo. Recentemente, por exemplo, Mariana Ferrer,  jovem que denunciou o abuso sexual sofrido durante uma festa, foi humilhada publicamente no julgamento de seu caso. Tal fato, mostra como a sociedade descredibiliza a mulher que tem coragem de se manifestar, reprimindo e culpando-a. Por esse motivo, vitímas de violência preferem não denunciar, temendo não serem ouvidas. Consequentemente, agressores continuam impunes e assim perpetuam práticas negativas.

Nessa lógica, a falta de consequência pelos atos de agressão permite que se estabeleça na sociedade concepções destorcidas do que é ser homem. Agressores, que não são punidos, continuam praticando violência contra as mulheres e passam essa mentalidade para as gerações seguintes. A razão disso se encontra no fato de que, como dizia David Hume, os indivíduos aprendem através das impressões obtidas pelas experiências. Dessa forma, uma pessoa que cresce em um contexto marcado pela opressão feminina vai reproduzir comportamentos similares. Uma evidência dessa dinâmica, é o caso do jovem que matou seu pai após ele e sua mão sofrerem diversos casos de agressão. O menino acreditou que a violência seria a única solução, o que mostra, além da influência do meio sobre o indivíduo, a deficiência do sistema de denúncia.

Portanto, a fim de impedir a violência contra a mulher no Brasil é preciso criar o projeto “Eu te escuto”. Os governos dos estados criarão em seus sistemas policiais um ambiente adequado para que mulheres sejam escutadas e protegidas. Os policiais receberão treinamento adequado para tratar de forma correta as mulheres que sofreram algum tipo de violência. Além disso, psicólogas serão contratadas para prestar auxílio durante o processo. Criar um sistema seguro e eficaz é essencial para acabar com a impunidade, levando ao fim também da persitência da violência na sociedade brasileira.