ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 18/09/2021
No livro “Bom Dia, Verônica”, do escritor brasileiro Raphael Montes, sob o pseudônimo de Andrea Killmore, é apresentado o eixo dramático da personagem Janete, que sofre, com frequência, abusos físicos e psicológicos do marido (policial militar). Fora da ficção, é fato a temática pode ser relacionada à atual conjuntura social brasileira, na qual é claramente perceptível a persistência da violência contra a mulher, com base no grande número de casos de feminicídio que o país ainda registra. Isso ocorre, sobretudo, por causa da configuração familiar tradicional, perpetuada ao longo da história, e também da falta de políticas educacionais voltadas para o tema e visando a alteração desse tenebroso cenário.
Conforme os estudos do sociólogo Gilberto Freyre, desde o período colonial no Brasil as famílias foram pautadas com base no Catolicismo e uma consequente organização patriarcal, na qual o homem era visto como autoridade máxima dentro de casa. Assim, a mulher não tinham direito de confrontá-lo e, caso fizesse isso, era repreendida, com uso, inclusive, de violência física. Mesmo após séculos, atualmente, fica claro que esse modelo de organização deixou suas consequências: em certos casos, quando a mulher se recusa a ceder ao parceiro, ela é vítima de agressões físicas, verbais e, na pior das hipóteses, pode até vir a óbito. Como prova, basta ligar a televisão ou ler a um noticíario qualquer, todo dia há casos novos desses tipos de violência contra à mulher no Brasil, logo, é algo que persiste.
Outrossim, a falta uma formação acadêmica para crianças e adolescentes pautada na igualdade de gêneros é algo que intensifica esse enorme problema, fazendo-o perdurar em um fluxo de gerações que repetem os erros. Caso as escolas aprofundassem mais as disciplinas relacioanas ao tema, de modo a explicitar os fatores que levam às atrocidades contra a prole feminina e o porquê de serem equívocos, os mais novos aprenderiam desde cedo e não haveria tanta necessidade de mudarem na vida adulta, pois não seriam violentos com mulheres e, consequentemente, o problema amenizaria. Para fundamentar isso, é válido perceber que a criança nasce livre de preconceitos, uma vez que todas as covenções sociais são ensinadas pelos mais velhos. Por que não ensinar a iguladade, preceito fundamental na democracia brasileira e nos Direitos Humanos?
Portanto, urge que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e de verbas, incentive todo e qualquer ato educacional (projetos de lei, palestras e publicidade, por modelo) que proponha, explicita ou implicitamente, um efeito de redução no que tange à violência contra a mulher. Além disso, a Escola, forte formadora de opinião, deve, obrigatoriamente, implantar ao menos um dos fatores educativos supracitados. Assim, haverá um basta, gradativamente, nessa problemática terrível.