ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/09/2021

O movimento literário do Romantismo trazia, em sua concepção original, um ideal machista e idealizador do papel feminino na sociedade da época. Paralelamente, nos dias atuais, evidencia-se a perpetuação dessa visão objetificante sobre a mulher, fator que, em muitos casos, é o principal motivador da violência de gênero. Nesse sentido, dois importantes aspectos se destacam: o crescente número de feminicídios, no Brasil, e como a manutenção do patriarcado atua fomentando o problema em questão.

Em primeira análise, urge citar o aumento exponencial dos casos de homicídios contra população feminina, no país. Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE, nos últimos 30 anos foram registrados cerca de 100 mil assassinatos de mulheres e, dentre esses, metade ocorreram na última década. Durante esse mesmo período, foi criada a Constituição Federal de 1988, a qual, em seu artigo 5º, garante a segurança e igualdade de todos perante a lei. Portanto, explicita-se que mesmo com seus direitos garantidos pelo conjunto máximo de normas do país, as mulheres ainda sofrem com a violência de gênero, o que poderia ser fortemente reduzido, caso houvesse uma asseguração correta dessas prerrogativas jurídicas.

Outrossim, é evidente como a estrutura patriarcal age catalisando o problema da violência contra a mulher, uma vez que prega a inferioridade dessas. O patriarcado é um sistema social que favorece e garante poder aos homens, principalmente brancos, heterossexuais e cisgêneros. Nesse prisma, cabe elencar a visão de Bell Hooks sobre como essa estrutura social se consolida de forma autônoma, através de instituições coletivas, como escolas e igrejas, as quais reforçam seus ideais de supremacia masculina. Assim, destaca-se a necessidade de políticas que construam uma sociedade mais igualitária e sem esse pensamento machista induzido pelo patriarcado.

Perante o exposto, torna-se notória a urgência de ações públicas para reverter o quadro atual. Para a redução dos feminicídios no Brasil, o Ministério da Justiça deve, por meio de verbas liberadas pelo Governo Federal, construir novas delegacias da mulher espalhadas por todo o território, as quais irão fiscalizar esse tipo de crime e garantir o direito feminino. Ademais, para a eliminação do pensamento patriarcal, o MEC deve introduzir palestras nas escolas, que preguem a igualdade de gênero e desmitam o falso ideal da supremacia masculina. Somente dessa maneira, será possível afastar-se da visão feminina propagada pela escola literária do Romantismo, além de cumprir na íntegra a Constituição Federal.