ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 23/10/2021

Com o crescimento do movimento feminista no brasil, que aborda a violência contra a mulher, imagina-se que essa violência seria melhor combatida. No entanto, é visto constantemente nas mídias o crescimento da violência doméstica contra a mulher. Isso se dá pela indiferença jurídica diante desse absurdo e pelo machismo presente no dia a dia dos brasileiros.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013 o Brasil já ocupava o 5º lugar, num ranking de 83 países onde mais se matam mulheres, em que quase 30% dos crimes ocorrem nos domicílios. Há também, muitos relatos de mulheres que confessam terem desistido de denunciar seus agressores por pressão policial, como dizer que, com a denúncia, a vítima vai acabar com a vida do agressor, o que as fazem se sentirem culpadas e não denunciarem. “Às vezes, o processo de denunciar acaba sendo mais violento do que a própria violência”, disse à BBC Brasil Silvia Chakian, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica.

Além disso, a cultura machista no cotidiano incentiva esse tipo de violência, como quando se questiona a vítima o que fez para provocar o agressor, ou quando aceita-se, e às vezes acha-se bom ou normal, que um parceiro agrida o outro por tê-lo traído, juntamente com a agressão do suposto amante, como forma de usar uma “lição”, o que também ocorre com homens sendo vítimas, apesar de ser uma quantidade menor de casos. Um outro exemplo está nas igrejas cristãs que refletem esse tipo de pensamento cultural. Em uma entrevista à BBC, uma mulher cujo nome não foi divulgado, conta que sofria violência doméstica do seu ex-marido e, ao relatar aos líderes religiosos, eles a silenciaram. “Para o pessoal da igreja isso era normal. E não havia lugar para este tipo de reclamações, que pareciam irrelevantes. ” Ela diz que ouviu também de fiéis; “Se seu marido a trata mal é porque está errando em alguma coisa e não estava sendo uma esposa cristã”, “Mais de uma ‘irmã’ da igreja chegou a me perguntar o que de tão sério eu havia feito para ele tentar me matar ”.

Dessa forma, é imprescindível que o Ministério Público, defensor da ordem jurídica, regime democrático e interesses sociais, garanta que todos que atendem esses casos, sejam capacitados para tal coisa, exigindo que, para trabalhar nessa área, devam possuir uma especialização em atendimento a mulheres vítimas deviolência doméstica e faça a verificação constante com investigações. Assim, haverá um melhor atendimento às vítimas, mais denúncias e com mais pessoas especializadas e cientes, haverá maior compreenção populacional sobre a gravidade da situação e como deve ser tratada, atingindo assim, o dia a dia dos brasileiros, a educação e instituições religiosas que posteriormente refletirão essa conscientização.