ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 31/10/2021
No artigo 5º da Constituição Federal de 1988 é garantido a todo cidadão brasileiro igualdade irrevogável. É em conformidade com dito direito que meios de proteção, como a Lei Maria da Penha foram sancionados, agindo contra atos que ameaçam tal bem humano, entre eles, o abuso doméstico. A realidade no Brasil é inteiramente díspar da idealizada na origem de suas leis regentes e a violência contra a mulher não apenas persiste na sociedade contemporânea, mas também afeta crianças e adolescentes ainda sendo educados.
Antes de tudo, é fato que a agressão contra a figura feminina , apesar de todos os esforços públicos para diminuí-la, se mantém estável. A lei garante igualdade e proteção a todos, no entanto, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça, mais de 300 mil processos de abuso contra mulheres foram iniciados entre os anos de 2006 e 2011. A violência persistente para com membros do gênero feminino torna evidente a estagnação do Brasil na busca pela igualdade.
Por conseguinte ao fracasso contínuo do Estado e sociedade no impedimento do abuso contra a mulher, é o impacto negativo que situações domésticas envolvidas em atos violentos tem no desenvolvimento dos mais jovens. A ideia de que a educação por meio de experiências rotineiras durante infância tem efeito fundamental na formação da identidade humana fora explorada a fundo pelo filósofo e educador brasileiro Paulo Freire. Os efeitos da convivência com abuso doméstico no jovem são, não apenas sofrimento momentâneo, mas também um condicionamento a repetir tais tendências em sua vida no futuro, como investigado pela “Folha de S. Paulo” em artigo de 1998. A crueldade propaga a si mesma.
Portanto, tendo em mente a persistência da agressão contra a mulher e seu efeito em crianças e adolescentes durante suas formações, é de exímia urgência que o Ministério da Mulher, por meio de uma colaboração com o Ministério da Educação e fundos disponibilizados pelo governo federal, crie uma organização pública responsável por fornecer assistência às escolas na educação de jovens quanto à igualdade de gênero, o serviço público prestado consistirá não somente em prevenir a violência contra a mulher de persistir no futuro ao educar os futuros adultos em seus anos mais sensíveis, porém também no encorajamento ao ato de reportar abuso doméstico já presente na vida dos jovens, tudo isso visando um futuro de maior equilíbrio entre gêneros. O alicerce das leis brasileiras garante muitos direitos que ainda não são entregues, e é dever de ambos o Estado e cidadão construir um Brasil que reflete seus ideais.