ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 02/11/2021
No livro “It: a Coisa”, do escritor Stephen King, Beverly Marsh sofre constantes agressões físicas do seu esposo, além de ser ameaçada de morte por ele diversas vezes durante a narrativa. Analogamente, fora das páginas, no Brasil, muitas mulheres também são vítimas de agressões físicas advindas do sexo oposto, visto que a violência desferida contra elas pelos homens persiste desde o início da civilização. Desse modo, torna-se urgente analisar os principais sustentáculos desse mal: a misoginia e a justiça ineficaz.
Diante desse cenário, é pertinente afirmar que a aversão patológica pelas mulheres é um dos alicerces centrais da manutenção do terrível e sistemático histórico de violência que as aflige. Nesse raciocínio, essa repulsa doentia pelo sexo feminino pode gerar um ambiente inclinado à agressão de gênero, uma vez que o misógino está sujeito a descarregar seus ressentimentos na vítima. A respeito disso, um ser humano o qual nutre esses tipos de sentimentos odiosos em relação a alguém ou a um grupo de pessoas tende a agir com violência e impiedade para com elas. Evidenciando o supracitado, C.S. Lewis, professor universitário e escritor, no livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, diz que o ódio torna os homens propensos a qualquer tipo de emoção violenta. Sendo assim, fica nítido que a misoginia alimenta abundantemente a persistência da violência contra a mulher.
Ademais, a ineficácia da lei impulsiona diretamente a agressão contra a figura feminina. Isso porque não pune de forma efetiva os agressores. Nesse sentido, de 2006 a 2011, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, dos milhares de processos baseados na Lei Maria da Penha, 66,6% ainda não haviam sido julgados. Então, os indivíduos podem utilizar essas brechas judiciais como estímulo para cometer o mal em discussão, mentalizando que realizá-lo não vai dar em nada. Dessa maneira, os criminosos podem ficar inclinados a agir como o vereador Big Jim Rennie no livro “Sob a Redoma”, o qual se aproveitou da falta de punição policial para cometer crimes na cidade, quando o local foi isolado do resto do mundo por um campo de força invisível. Sendo assim, a justiça falha em garantir a segurança das mulheres.
Portanto, é necessário que a misoginia seja debatida incisivamente no Brasil, por meio de campanhas publicitárias, as quais explicitem o ódio direcionado à figura feminina, sendo divulgadas na televisão aberta. Isso deve ser feito com verbas do Estado, com o intuito de mostrar a população o quanto a aversão às mulheres é nociva para a sociedade. Paralelamente, a Lei Maria da Penha precisa ser ajustada, aumentando a pena dos criminosos mediante a reuniões do Poder Legislativo com pessoas especializadas em casos de violência contra a mulher e acelerando o máximo possível o julgamento de processos relacionados ao tema, servindo de exemplo para impedir homens de cometer o crime. Assim, situações similares a de Beverly Marsh serão cada vez menos frequentes no país.