ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 24/11/2021

Desde dos tempos primordiais, as mulheres são vistas como submissas em relação ao homem. O documentário Silêncio das Inocentes (2010), amplia a visibilidade dessa situação enfrentada pelas mulheres, além de promover reflexões sobre o assunto. O filme se inicia com o depoimento  de quem deu nome à lei que trata de amparar as mulheres em situação de violência: Maria da Penha Fernandes. A partir desse olhar cinematográfico, é importante analisar o motivo ao qual leva a essa persistência de barbaridades cometidas com a mulher, bem como analisar de que modo esse processo afeta o organismo social.

Primeiramente precisa-se entender que o homem sempre foi visto como dominante e superior,  criando-se assim um olhar julgatório sobre o comportamento feminino. Esse olhar dá-se devido a sociedade patriarcal e a cultura sexista  em que o mundo e principalmente o Brasil estão inseridos. Além disso, o número de casos de violência tem se mostrado crescente em meio a um cotidiano sustentado por relações sociais tóxicas e agressivas. A violência não se restringe à espaços públicos, muito pelo contrário, o perigo, na grande maioria das vezes, está dentro de casa e longe do olhar dos outros, o que representa um agente facilitador para o cometimento desses atos criminosos.

Ainda nesse prisma, vale-se ressaltar que de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), sete em cada dez mulheres no mundo sofrerão algum tipo de violência física durante sua vida. Dessa forma, nas últimas décadas a questão foi sendo inserida no centro do debate público, resultando na criação de diversas leis, como a Maria da Penha, em 2006, a do feminicídio, em 2015, e com a de importunação sexual, de 2018. Todavia, é nítido o desconforme entre o reforço no suporte legal e a implementação de políticas públicas voltadas ao combate a esse tipo de violência. A rede de proteção estatal, tem demonstrado incapacidade de dar guarida às vítimas, que geralmente preferem o silêncio a denunciar, por medo, vergonha ou culpa.

Diante desse cenário, fica nítida a urgência em acabar com a perpetuação da violência contra a mulher. Portanto, cabe ao Estado estabelecer como meta a intensificação de políticas de propaganda com o objetivo de propagar o conhecimento geral a respeito das leis existentes cujo visam a proteção da mulher. Além disso, cabe ao poder judiciário do país aplicar punições severas aos homens que violentaram uma mulher de alguma forma, seja ela estupro, assédio e/ou feminicício. Também é de extrema importância que cada família crie seu filho com afeto, conscientizando-o desde pequeno, para que ele nao perpetue com ações violentas. Consolidadas essas intervenções, espera-se que as mulheres sintam-se protegidas em meio a sociedade brasileira.