ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 28/11/2021

“É Assim Que Acaba” é um romance da autora Colleen Hoover que acompanha a história de Lily, desde seu passado morando com pais que mantinham um relacionamento abusivo, até sua própria jornada se envolvendo ela mesma em um relacionamento abusivo. Durante a trama, os aspectos que fizeram a protagonista repetir o ciclo pelo qual sua mãe passou são ressaltados através de uma perspectiva em primeira pessoa que aproxima o leitor de uma realidade vivida não apenas ficticiamente, mas no dia a dia de diversas mulheres ao redor do mundo: inclusive no Brasil.

É necessário pontuar, inicialmente, que um valor definido na cabeça de Lily era que ela nunca passaria pelo que sua mãe passou: ela passa sua infância e adolescência inteiras com isso marcado em sua cabeça, afinal, ela havia vivenciado em primeira mão as consequências de um relacionamento abusivo. Porém, ao desenvolver um laço afetivo forte com um homem que se revelou temperamental e abusivo, ela permaneceu com ele. Ao contrário da situação de várias mulheres, essa escolha não está relacionada com sua condição financeira, está relacionada com o movimento de aparente arrependimento que o parceiro promove; após qualquer episódio, ele voltava pedindo desculpas, com uma justificativa e novas promessas de melhoria prontas.

Tal ação é extremamente comum, e circula em volta do olhar histórico direcionado a mulheres durante o desenvolvimento da sociedade. A tendencia desenvolvida pela comunidade brasileira atual de culpar a vítima, mesmo que inconscientemente, e promover à mulher um papel de submissão, promove, mesmo que sutilmente, a obrigação que uma mulher teria de se manter com o seu parceiro – principalmente ao treina-la para fortalecer seu lado emocional e educa-la com exemplos de mulheres “consertando” seus maridos, relacionando a ideia de permanecer com ele com ser forte e um ato natural, como no lar em que Lily, por exemplo, foi criada. Mais que isso, ela seria obrigatória a partir de momento em que ela o ama, pois aso o deixasse, seu amor não teria sido “o suficiente”.  Enquanto isso, o homem reforça o movimento de impor uma posição de dominação sobre a mulher, através de atitudes impensadas e grosseiras pelas quais sua responsabilidade é amenizada por conta da cultura patriarcal.

Analisando e refletindo sobre citadas realidades e pontos de vista, percebe-se que é necessário, para combater a violência, que o governo e ONGS implementem projetos que conscientizem as mulheres quanto a essas circunstâncias e as ajudem a evitar e sair de situações em que estejam vulneráveis à violência. Além disso, é imperioso que os homens também sejam reeducados para que não sigam a tendencia masculina de se manterem nessa ilusória posição de dominação, que foi definida pela sociedade e não apenas pelo sexo de cada um.