ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 25/11/2021
Segundo a Filósofa francesa, existencialista e feminista, Simone de Beauvoir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Ao tomar esse pensar filosófico como ponto de partida para fomentar nossa discussão sobre a violência contra a mulher na sociedade brasileira, é necessário entender que tal fenômeno pendura na sociedade atual, uma vez que a mulher foi educada historicamente como inferior e secundária. Nesse cenário, é preciso compreender porque a violência contra a mulher persiste, bem como apontar os efeitos desse processo no organismo social.
A partir dessa proposição, é preciso esclarecer inicialmente que a violência contra a mulher persiste, uma vez que a sociedade brasileira tende a um pensamento conservador, onde a mulher é vista como submissa ao homem, além de existir um julgamento moral sobre o comportamento feminino. Além disso, não se pode negar que tal fenômeno é muito antigo, pois, ao percorrer com olhar a realidade, constata-se que embora existam sociedades lideradas por mulheres, a ampla maioria das civilizações é caracterizada pela concentração de poder e liderança na mão dos homens. Nessa perspectiva, como alerta Simone Beauvoir, é possível analisar que a mulher não nasce com uma essência definida, sendo considerada como inferior, ela se torna o que é a partir de sua educação e vivência.
Ainda nesse prisma, outra questão relevante é o fato de que tal comportamento patriarcal ocasiona diversas consequências, muitas vezes irreversíveis, para a sociedade, especialmente para as mulheres, produzindo violência física e mental, desrespeitos, injustiças e tantos outros malefícios. Vale ressaltar que o aumento do preconceito e da discriminação contra as mulheres, são agravados pelo fato de que muitos homens hoje em dia ainda são educados para serem machistas e agirem de tal forma, contribuindo, infelizmente, para reproduzirem os números apresentados pela pesquisa, que diz que nos 30 anos decorridos entre 1980 e 2010 foram assassinadas no país acima de 92 mil mulheres, 43,7 mil só na última década. Dessa forma, compreende-se que tais números não são por acaso, afinal, estão relacionados diretamente com a forma como os meninos foram educados dês da infância.
Diante desse cenário, constata-se a urgência em buscar soluções para tentar acabar com a violência contra a mulher na sociedade brasileira. Para tanto, é preciso que o governo, estabeleça como meta a intensificação da propaganda para o conhecimento geral da Lei Maria da penha. Ao mesmo tempo, cabe ao estado, juntamente ao ministério da educação, desenvolver um projeto de educação em massa da população, mediante aos impactos negativos do comportamento machista com a mulher. Com essas iniciativas, espera-se que todos assumam um papel que contribua para construção de uma sociedade mais civilizada, justa e respeitosa.