ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 15/11/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação da filósofa Simone de Beauvoir simboliza a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, uma vez que é justamente o comportamento passivo da coletividade em relação a esse escândalo social, é a questão fundamental que perpetua esse cenário machista. Nesse sentido, essa problemática tem origem na desvalorização da imagem feminina. Sendo assim, entre os fatores que contribuem para essa conjuntura, destaca-se o machismo estrutural presente no contexto social e a objetificação da mulher.
A priori, o machismo estrutural solidificou a violência contra mulher no âmbito social. Isso ocorre devido à naturalidade da sociedade que diminui a relevância feminina nos amplos setores do corpo social, em contrapartida enaltece a imagem masculina. Assim, não só desvaloriza as violências sofridas pelas mulheres, como também causa a manutenção desse cenário degradante. De acordo com o historiador Leandro Karnal, “uma das característica da cultura é tornar normal o que não é”. O acerto feito pelo brasileiro evidência essa naturalidade ocasionada pela coletividade. Dessa forma, revelando que a persistência dessas agressões é derivada de forma coesiva pela sociedade.
Além disso, a coisificação da mulher é catalisador no perpetamento dessas adversidades. Isso acontece porque a figura feminina foi designada como objeto, ou seja, foi secundarizada no corpo social. Assim, a persistência dessas violências é consequência dessa objetificação, pois sua presença é erroneamente classificada como: “coisa”. Exemplo disso, são os filmes com protagonistas masculinos, como no filme “007”, na qual as figuras femininas são apenas coadjuvantes designadas a realizas as vontades do protagonista. Desse modo, demonstrando a secundarização da figura feminina no corpo social, evidenciando o perpetuamento de violências originadas por equivocadas concepções no imaginário coletivo.
Fica evidente, portanto, que a desvalorização da mulher gera a persistência da violência contra a figura feminina no corpo social brasileiro. Logo, para combater esses empecilhos, tornar-se necessário que o Governo Federal atue, por meio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, de modo a institucionalizar o Plano Nacional do Combate ao Machismo, na qual será responsável por conscientizar a população por meio de incentivos que evidenciem a figura feminina no meio social. Ademais, o programa contará com propagandas que incentivaram a denunciar as agressões sofridas as mulheres. Dessa forma, a coletividade reverterá um escandâlo, como mencionado por Simone de Beauvoir.