ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 08/11/2021
No universo distópico de “O Conto da Aia” a linguagem tem papel essencial de criar um vocabulário oficial que serve à elite patriarcal. Ela priva as mulheres de seus nomes pessoais: Offred, por exemplo, é “Of” mais “Fred”, que significa “de Fred”, nome de seu Comandante. Nesse sentido, embora essa realidade seja inimaginável no sistema sociopolítico atual, o cenário brasileiro ainda é comandado pelas elites patriarcais que persistem, por meio da violência, controlar o corpo e a mente femininas. Portanto, faz-se necessária uma análise dessa conjuntura, com intuito de mitigar tais práticas que corroboram essa lógica opressora.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a sociedade disciplinar reverbera-se através das relações sociais, visto que há uma imposição coercitiva sobre o corpo da mulher. Nesse viés, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Com isso, a perpetuação dos arquétipos das violências simbólicas, semelhantes ao “O conto da Aia”, criam assimetrias no campo democrático, bem como diminui a representatividade da mulher no corpo social. Sendo assim, torna-se evidente que a manutenção dessas violências são incorporadas no inconsciente coletivo, aumentando a alienação acerca do tema.
Por conseguinte, observa-se um forte poder de influência dessas violências simbólicas por parte do comportamento machista, haja vista que uma vez institucionalizado, qualquer voz que difere do discurso padrão acaba sendo tachado e marginalizado. Com efeito, segundo a teoria da Banalidade do mal de Hannah Arendt, a maldade sob o véu da banalidade do dia a dia, disfarça, ainda que sutilmente, o totalitarismo e a misoginia. Dessa maneira, esse cenário nefasto contribui para perpetuar a violência contra a mulher, e por isso, deve ser veementemente combatido.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater a persistência da violência contra a mulher no quadro atual brasileiro. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - instituição do Estado responsável pela formação inteligível do indivíduo- inserir, nas escolas, palestras e oficinas, para desenvolver a capacidade estética e expressiva de se colocar no lugar do outro de maneira lúdica, articulada à reflexão da psicologia sócio-histórica, criando empatia e uma visão holística da diversidade e suas representatividades femininas na história da humanidade. Por fim, dessa maneira será possível oxigenar novas estruturas no imaginário coletivo capaz de fazer mudanças significativas na lógica opressora patriarcal e, ademais, afastar do capital cultural a crença que marginaliza a mulher, como no universo distópico de “O Conto da Aia” .