ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/11/2021

Segundo a DUDH, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo ser humano tem direito à saúde física e mental. Seguindo esta lógica, depreende-se a importância do debate acerca da persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Tal problemática se mantém vigente não só pela disputa de poder nas relações sociais, como também devido ao comportamento naturalmente egoísta do ser humano.

Nessa perspectiva, é imperativo destacar como a dominação e o exercício do poderio nas interações sociais é um fator ímpar no que tange à continuidade das agressões contra pessoas do sexo feminino. De acordo com Michel Foucault, prestigiado filósofo francês, as relações presentes na comunidade, até mesmo aquelas situadas no espaço doméstico, se caracterizam pela tentativa de subjugar o próximo mediante o uso do poder. De maneira análoga, muitas vezes, o indivíduo agride a mulher, seja de forma física ou mental, com o objetivo de, em concordância com a teoria do pensador europeu, exercer uma autoridade irracional e injusta sobre a outra pessoa, o que contribui, consequentemente, para o surgimento de relações abusivas.

Outrossim, é oportuno comentar como a forma individualista de agir das pessoas é um grande contribuinte para a manutenção da problemática debatida. Como exemplo, vale ressaltar acerca da teoria da Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, notório sociólogo polonês. Conforme o intelectual europeu, as relações atuais se caracterizam, sobretudo, por serem efêmeras e baseadas no egoísmo, o que influencia, diretamente, na manutenção de problemas na sociedade atual e, por conseguinte, na falta de empatia para com o outro. Dessa feita, a persistência da violência contra a mulher torna-se comum, pois, parafraseando Zygmunt Bauman, as interações hodiernas baseiam-se, principalmente, em uma forma de agir individual e indiferente baseada em vínculos superficiais entre indivíduos.

Infere-se, portanto, em vista dos fatos supracitados, a necessidade da atuação do Estado para que esta problemática seja amenizada. Logo, cabe às instituições de ensino, a exemplo das escolas e faculdades, por meio de programas educacionais sobre a igualdade de gênero, informar aos estudantes sobre a importância do respeito e igualdade na prática das relações sociais. Essa medida tem o intuito de que, futuramente, a convivência entre as pessoas se baseie na solidariedade, e não na disputa ilógica acerca do poder e do domínio. Paralelamente, é imprescindível que o governo elabore campanhas que incentivem a denúncia em casos de violência contra a mulher, a fim de que o egoísmo e individualismo de alguns deixe de ser um obstáculo para o bem-estar da maioria. Quiçá, nessa via, documentos como a DUDH serão respeitados.