ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/11/2021

De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil é retratado como sinônimo de progresso, o que projeta uma visão de um tempo promissor. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama atual da violência contra as mulheres — um problema alarmante que compromete o desenvolvimento do sentimento humano. Assim, é possível afirmar que não só a impunidade relacionada às agresssões com foco no sexo feminino, mas também a negligência da própria população em relação a um tópico tão importante fomentam os entraves do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que atentados em oposição às mulheres são vistos com descaso pelo sistema de justiça, o qual parece fazer vista grossa para determinados casos. Por exemplo, Myke Tyson e Marylin Manson, figuras famosas as quais já foram acusadas de estupro e violência, e que, apesar disso, sofreram curtas ou mínimas punições. A priori, é inadmissível que tal padrão se repita com representantes brasileiros — afinal, a violência toma forma quando há a percepção de consequências possivelmente evitáveis perante à lei.

Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão do não posicionamento populacional frente às atitudes misóginas. Seguindo essa ideia, tomando por base os mesmo exemplos já citados, vê-se que parte da sociedade continua glorificando Myke Tyson como sendo um grande lutador, o que deveria ser, ao invés disso, o grande estuprador. A partir desse aspecto, é inadmissível essa neutralidade que vai de encontro às mudanças necessárias para um país melhor — aliás,  a evolução só ocorre quando houver apego a comportamentos éticos, não à figuras controversas.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito executivo de Ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por meio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram acerca da necessidade de adesão aos atos contra a misoginia, seja por meio de um poscionamento moral ou pressionamento do judiciário. Espera-se, com tudo isso, uma atenuação das agressões ao sexo feminino e, por conseguinte, uma esperança para a concretização da visão de Zweig.