ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 17/01/2022

Ainda que a Constituição Federal de 1988 garanta a todos os cidadãos o direito à segurança e ao bem estar social, é nauseante notar a fatídica persistencia da violência contra a mulher. Ainda que uma suposta igualdade seja vendida na cultura de massa, através da televisão e da internet, a realidade do descaso governamental e da sociedade civil ajudam a pintar um mórbido cenário de injustiça. A escalada da violência doméstica se revela atualmente como um desafio cultural e de gestão pública.

Primeiramente, é importante destacar o papel do machismo, herança milenar de um passado pouco civilizado, na manutenção do atual quadro de intolerância: entre a parcela menos progressista da sociedade, o peso da tradição acaba imperando, o que fomenta a intolerância. Nesse sentido, a escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir afirmava que o mais escandaloso dos escandalos é que nos habituamos a eles, reforçando a noção de que certos conceitos, ainda que antiquados e anacrônicos, podem manter-se vivos na cultura de um povo quando não questionados. Dito isso, o costume popular de não interferência em relacionamentos desfuncionais por respeito a “vida intima”, deve dar lugar ao respeito à manutenção do bem estar, através da educação e da denúncia.

Além disso, é notória a falta de ação governamental na manutenção desse quadro desastroso. AInda que existam leis que protejam a mulher contra abusos e arbitrariedades de um parceiro violento, estas estão sujeitas as limitações logisticas do Estado, que falha em garantir sua eficácia. Dado o flagrante despreparo policial, nos últimos 30 anos, mais de 90 mil mulheres foram assassinadas em casos de violência doméstica, segundo dados do Mapa da Violência. Esse cenário refrete o despreparo do estado brasileiro na garantia de direitos fundamentais, sinalizando a falência de uma segurança pública que se mostra incapacitada ou indisposta no combate a essa triste realidade.

Faz-se, portanto, essencial o desmantelamento da moral machista, bem como do adequado aparelhamento do corpo policial, a fim de garantir a segurança da parcela feminina, maioria nesse país. Desse modo, urge que o Ministério da Economia libere verbas para a construção de delegacias especializadas no combate à violência endêmica contra a mulher, a partir da inclusão deste objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de coibir a violência e diminuir assassinatos. Seguindo esse eixo, é fundamental que o Ministério da Cultura atue promovendo campanhas publicitárias que denunciem e desafiem a lógica machista de desigualdade que permeia a vida cotidiana, através de anúncios nas redes sociais, que induzam a reflexão, a fim de mudar a mentalidade dos homens ao atacar o cerne do problema, a ideologia que alimenta o pensamento discriminante. Dessa maneira, fomentar-se-á uma sociedade mais igualitária e pacífica.