ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 12/03/2022

A Constituição federal de 1988 -norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro- garante os direitos e o bem-estar de toda a população. Entretanto, a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira demonstra que esse preceito está instaurado na teoria, e não desejavelmente na prática, posto que existe uma parcela da sociedade que não usufrui da segurança e do bom convívio geral. Nesse cenário, dois fatores podem ser indicados como causadores dessa triste realidade: a negligência estatal e a pouca intervenção das escolas.

Em primeiro plano, é importante ressaltar a inércia da máquina pública. Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, em uma sociedade, todos são iguais e possuem os mesmos direitos que devem ser assegurados pelo Estado. No entanto, em desencontro com a teoria filosófica supracitada, a negligência estatal junto com a não criação de portais mais seguros e leis mais eficazes na proteção das mulheres que sofrem de violência, tanto em casa como na rua, ocasiona, como consequência, o aumento dos dados alarmantes relacionados à morte de mulheres no país, o que evidencia uma desigualdade presente na sociedade. Dessa forma, faz-se mister a mudança da postura estatal de forma urgente.

Além disso, a baixa participação das escolas pode ser apontada como promotora do empecilho. De acordo com a música “Another brick in the wall”, da banda Pink Floyd, o sistema educacional é supérfluo e pouco engajado em pautas sociais importantes, como é o caso da persistência das agressões em mulheres no Brasil. Nesse contexto, a ausência de atividades dinâmicas e componentes curriculares relacionados a tal problemática gera uma falta de informação nas crianças e nos jovens, o que colabora em um crescimento pouco consciente sobre o tema, sendo repassado em gerações. Destarte, tudo isso contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, cabe ao Ministério da Educação promover a conscientização em instituições de ensino (principalmente colégios), por intermédio da realização de atividades curriculares como, debates entre os alunos e rodas de conversa, a fim de proporcionar um conhecimento nos estudantes sobre o problema, amenizando, dessa forma, o entrave social a longo prazo. Somente assim, o preceito constitucional será solidificado no Brasil.