ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 29/03/2022

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, Simone de Beauvoir. Sob essa ótica, a idealização da feminilidade como diferente e inferior ao masculino, enraizada na sociedade brasileira, atua como combustível para a violência. Ademais, ela está atrelada tanto à construção de uma imagem frágil da mulher na mídia, quanto à sua baixa representatividade em cargos públicos.

Sob esse viés, a construção imagética da mulher como sexo frágil contribui para que seu violentador se sinta no direito de oprimi-la. Nesse contexto, o livro “O conto de Aia”, de Margaret Atwood, retrata uma sociedade na qual a mulher é objetificada apenas para a reprodução humana, sofrendo constantes violências pelo regime patriarcal instaurado. Desse modo, é evidente que a constante fragilização feminina na comunidade, por meio do seu baixo empoderamento, estimula o aumento da violência sofrida por elas.

Além disso, a baixa representatividade da mulher em cargos públicos dificulta o debate contra a violência desse grupo. Nesse sentido, em seu discurso de posse em 2019, a deputada Tabata Amaral correlacionou o aumento de mulheres no congresso nos últimos 5 anos com a ampliação de novas propostas de leis de proteção feminina, como por exemplo a melhoria no amparo de vítimas de violência doméstica. Dessa forma, é notável que o estímulo à representatividade governamental da mulher favorece ações que estimulam o combate à violência destinada a esse gênero, fator decisivo para o acolhimento de futuras vítimas.

Portanto, a fim de mitigar a ainda presente violência contra a mulher brasileira, é dever do governo, representado pelo Ministério da Mulher, promover campanhas culturais, mediante o uso das mídias sociais, a fim de estimular o ingresso do público feminino na política, como também, combater a imagem de indivíduo frágil ligada à mulher. Assim, tais ações irão valorizar esse grupo e sem dúvidas, reduzir a violência sofrida por elas.