ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 18/04/2022

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na sociedade brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de mulheres vítimas de variados tipos de violência é, certamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se essencial analisar as causas dessa realidade vivida por tantas brasileiras, dentre as quais se destacam a cultura do medo, imposta pelos violentadores, e a falta de medidas efetivas de segurança e punição aos agressores por parte do Governo.

Destarte, é imperioso notar que a cultura do medo, imposta pelos agressores, potencializa a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Esse contexto de perpetuação da violência é reflexo da herança machista do Brasil, vinda de uma estrutura patriarcal, na qual os direitos entre homens e mulheres são nitidamente desiguais e o poder daqueles se sobrepõe ao dessas. Nessa perspectiva, para mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção coletiva para barrar a continuidade dessa cultura abusiva.

Igualmente, é preciso apontar a falta de medidas de segurança e punição efetivas por parte dos governantes como outro fator que contribui para a manutenção da violência contra a mulher. Posto isso, dados apontam que menos da metade dos processos que envolvem a Lei Maria da Penha, entre setembro de 2006 e março de 2011, foram julgados. Logo, é urgente que esse cenário seja otimizado.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Assim, para minar a persistência da violência contra a mulher no Brasil, é preciso que os governantes, por meio de leis e da adoção de medidas que garantam o cumprimento delas, sejam a força-motriz para a disseminação de uma nova cultura: a cultura do respeito e da não-violência.