ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 26/04/2022
A filósofa Hanna Arendt afirmou que quando uma atitude agressiva ocorre com frequência, as pessoas deixam de vê-la como errada. Essa banalização do mal se mostra extremamente presente na sociedade atual, motivo pelo qual a violência contra a mulher é tão persistente. Para amenizar o problema, antes deve-se compreender as suas causas, que estão entre a manutenção de pensamentos machistas e patriarcais entre os indivíduos brasileiros e a ineficácia do Estado na proteção das vítimas que denunciam as agressões que sofrem.
Primeiramente, um corpo social que reproduz preconceitos contra a mulher é um grande empecilho na resolução da problemática. E isso ocorre, infelizmente, porque cada ser humano herda de suas famílias um conjunto de hábitos que são, inclusive, reforçados nas escolas, como disse o sociólogo Pierre Bordieu ao conceituar “habitus”. Isso demonstra que, caso não seja ensinado o contrário, pensamentos machistas se perpetuarão a cada geração, o que pode propiciar a persistência da violência.
Ademais, o medo de denunciar os casos de agressão e não receber a devida proteção por parte do Estado, afasta as cidadãs de uma vida digna, a qual é garantida pela Constituição Federal de 1988. Desse modo, a mediocridade na punição dos agressores impulsiona o aumento do número de casos, uma vez que esses indivíduos percebem a possibilidade de escaparem ilesos de julgamento em uma situação em que praticam a violência doméstica. O crescimento exponencial de atos violentos, que conforme o Mapa da Violência de 2012 já sofreu um aumento de até 230% entre os anos de 1980 e 2010, expõe um futuro caótico e de grande perigo para as moradoras do Brasil.
Portanto, mostra-se necessária a tomada de medidas que proporcionem a diminuição do risco às vidas das cidadãs brasileiras. Assim, cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras em escolas de Ensino Fundamental e Médio, ensinar aos futuros adultos a importância da igualdade de gênero e da resolução de conflitos por diálogos. Além disso, o Conselho Nacional de Justiça deve tornar mais rigorosas as medidas de proteção às vítimas, o que impactará em um futuro seguro para toda mulher e a transformação do país em uma nação mais pacífica.