ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 13/07/2022

Na série televisiva brasileira “Bom dia, Verônica”, é retratada a história de Janete, uma mulher que é constantemente violentada e manipulada pelo seu companheiro Cláudio. Fora da ficção, muitas mulheres brasileiras são vítimas de situações semelhantes. Fato agravado pelo desconhecimento acerca das diversas formas de violência, bem como pelo baixo número de delegacias de defesa da mulher.

Mediante tal contexto, a desinformação dos brasileiros prejudica a identificação das distintas formas de violência que podem ser praticadas contra o público feminino. Nesse sentido, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a Violência Simbólica consiste em uma agressão que não é física e, partindo disso, requer mais atenção na compreensão dos possíveis danos morais e psicológicos. Consoante a esse pensamento, as opressões contra a minoria feminina nem sempre são reconhecidas, pois muitas vezes as formas simbólicas são ignoradas. Assim, o desconhecimento garante a persistência do ato de opressão.

Outrossim, o número de delegacias da mulher em território nacional apresenta-se de maneira escassa. Nessa perspectiva, é importante destacar que a Constituição Federal de 1988 afirma que é dever do Estado assegurar uma assistência que coíba a violência contra os brasileiros. Embora declare, o Estado falha na criação de mecanismos de defesa às mulheres, uma vez que o número de delegacias especializadas é insuficiente, principalmente nas periferias. Logo, é ignorada a grande demanda das populações femininas dessas regiões.

Portanto, urge que o Estado atenue o quadro atual da violência contra a mulher. Para isso, os governos estaduais, em conjunto com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve ampliar as unidades de delegacias de defesa da mulher, bem como promover o conhecimento público sobre os diversos tipos de violência, sejam elas físicas ou simbólicas, por meio de maior suporte de verbas para aumentar o número desses órgãos especializados e de campanhas informativas, ambos especialmente nas periferias, a fim de coibir a persistência da violência contra o público feminino brasileiro. Somente assim, será possível uma realidade diferente da enfrentada pela personagem Janete.