ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 30/07/2022
Durante o Período Medieval, mulheres vistas sangrando, devido à menstruação, eram sentenciadas à morte por bruxaria. De forma similar, na sociedade brasileira atual, a barbárie da violência contra a mulher continua sendo um grave problema que tira muitas vidas. Nesse âmbito, é importante analisar a negação de direitos básicos às mulheres durante boa parte da história e o condicionamento existente, no âmbito familiar e social, de como crianças do sexo feminino devem se portar.
Em primeira análise, pode-se salientar que, durante a Revolução Francesa, foi feita a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que excluía as mulheres do acesso a esses direitos. Ainda hoje, apesar de existirem avanços, como a criação de leis para a proteção das mulheres, como a Lei Maria da Penha, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para exercer plenamente seus direitos. Como exemplo, de acordo com pesquisa do Datafolha, 33% dos brasileiros acreditam que a culpa do estupro é da vítima. Nesse sentido, a mulher, até mesmo quando é agredida e tem seus direitos violados, continua sendo culpabilizada: o que também é um tipo de agressão. Dito isso, a violência contra as mulheres persiste até hoje.
Além disso, no âmbito familiar e social, as mulheres desde criança são, pelo atual sistema patriarcal, ensinadas a como devem se comportar. Esse condicionamento, que ocorre desde a tenra idade e que tenta criar uma submissão feminina, é um produto do machismo nas relações sociais e se encaixa nas ideias da filósofa Simone de Beauvoir de que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Ou seja, na sociedade patriarcal, a criação do eu feminino é influênciada por ideias machistas. Desse modo, é necessário o combate a essa influência.
Infere-se, portanto, a necessidade de ações efetivas para barrar a continuidade da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Destarte, o Ministério da Cidadania e dos Direitos Humanos deve, por meio de grandes veículos de mídia, fazer campanhas que reforcem o respeito as direitos femininos, a fim de atenuar as ideias machistas que tentam deslegitimar esses direitos e, assim, diminuir aqueles que, por exemplo, culpabilizam a vítima de estupro. Além disso, ONGs que lutem pelos direitos femininos devem fazer campanhas que visem combater as influências machistas no âmbito familiar e social.