ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 09/02/2023

O cantor Chico Buarque, na canção “Mulheres de Atenas”, retrata algumas das violências vivenciadas pelas mulheres gregas na Idade Antiga. Similarmente as atenienses, as brasileiras são, por vezes, vitimadas com humilhações e agressões por parte de seus maridos. Deste modo, o atual quadro de violência se deve tanto a um descaso da imprensa, tanto a uma herança cultural.

Diante deste cenário, a falta de boa representatividade e de campanhas contra os crimes domésticos na mídia, colabora para a sua continuidade. Isto é, na telenovela “Fina Estampa”, uma das personagens sofre com diversas depredações morais e físicas de seu conjuge violento, porém, não o denúncia. Com isso, os telespectadores da trama, que porventura estavam na mesma situação da personagem, se sentiram desmotivados a denunciarem seus companheiros agressivos. Ademais, os meios de comunicação abordam o tema da violência contra à mulher excassamente fora do mês de concientização, assim, criando um déficit quanto a propagação do tema no restante do ano. Sendo assim, os veículos de informação contribuem minimamente com o enfrentamento da problemática.

Além disso, a construção patriarcal da sociedade brasileira está intimamente relacionada com a perpetuação da violência doméstica. Desde o início da colonização, até o século XIX, as mulheres eram privadas de exercerem diversas funções, tendo que se dedicar exclusivamente aos serviços residênciais. Posteriormente, apesar de reivindicarem mais direitos, os indivíduos do sexo feminino continuaram a ser menosprezados, devido à todo um passado cultural de exaltação da figura masculina, o que reverbera em um sentimento de objetificação da mulher, findando no incremento de comportamentos violentos para com elas.

Portanto, é preciso que as emissoras televisivas, como Globo e SBT, divulgem informações acerca das agressões as mulheres constantemente, por meio de comerciais, a fim de diminuir os índices de criminalidade. Igualmente, o MEC, órgão responsável pela gestão da educação, promova discussões sobre o machismo nas escolas, através de rodas de conversa e palestras, com a finalidade de tornar os alunos mais concientes desse problema. Por conseguinte, espera-se que existirão menos “Mulheres de Atenas” no Brasil.