ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 11/06/2023
Em seu livro “O perigo de uma história única”, a nigeriana Chimamanda Adichie disserta sobre como perpetuar um único ponto de vista sobre determinado grupo social resulta em sua constante inferiorização e estereotipização. Nesse prisma, pode-se observar que, hoje, no Brasil, atua, sobre a mulher, uma “história única”, a qual a coloca à margem da sociedade. Assim, dois aspectos se destacam: como a educação perpetua essa óptica exclusiva sobre a mulher e de que maneira o poder está inserido nas relações sociais da contemporaneidade.
Em primeira análise, cabe explicitar o papel essencial da educação na construção do lócus social de certos grupos. Sob tal visão, Mary Wollstonecraft publicou a obra “Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher”, na qual destaca a educação dirigida à mulher como o principal fator para a sua submissão, uma vez que são ensinadas, desde crianças, somente sobre responsabilidades da maternidade e do casamento. Dessa forma, torna-se indubitável que o ensino dedicado às mulheres teve, ao longo da história, função de aliená-las de seu direito a uma vida plena e indepen-dente em relação o homem, resultando em sua completa marginalização.
Outrossim, é válido ilustrar a organização, no hodierno, das relações de poder em “microespaços”, ou seja, nos vínculos sociais entre os indivíduos. Sob tal pers-pectiva, Michel Foucault define que o poder se manifesta em sistemas políticos assimétricos e sobre os corpos, marginalizando-os ou elevando-os a uma posição de dominância. Portanto, devido à histórica educação direcionada à mulher, ela se encontra no lado mais frágil desta balança desigual que são as relações de poder da atualidade, tornando-se vulnerável à violência do lado dominante.
Destarte, é mister que o Estado tome medidas para reverter o quadro atual. A fim de minimizar a violência dos dominantes nos “microespaços”, o Ministério da Educação e Cultura deve, por meio da introdução de palestras e campanhas nas escolas, modificar a estrutura de ensino direcionado aos jovens atuais, de modo a salientar a singularidade feminina, rompendo, assim, com a “história única” de um lócus social restrito à maternidade e ao casamento. Somente dessa maneira, será possível transgredir os cenários retratados por Adichie e Wollstonecraft, além de abrandar a assimetria das relações de poder, como destacada por Foucault.