ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 07/07/2023
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro
português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI.
Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas
conotações no que se refere a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado historico e
da ineficiencia legislativa.
Convém ressaltar, a princípio, que a herança histórica é um fator determinante
para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a continua hostilidade contra as cidadas, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história passado brasileiro e global, o que dificulta ainda mais sua resolução.
Além disso, esse prooblema encontra terra fértil na ineficiencia das leis. Conforme Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre
as pessoas de uma sociedade. Contrariamente, no Brasil, as agressões direcionadas as mulheres não
encontra o respaldo político necessário para ser solucionado, o que
dificulta a resolução do problema.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver
esse problema. Logo, é necessário que as famílias, em parceria com a liderança dos bairros,exijam do poder público o cumprimento do direito constitucional de proteção a essas vítimas. Essa exigência deve se dar por meio da produção de ofícios e cartas de reclamação coletivos, com a descrição de relatos de pessoas da
comunidade que sofrem com esse problema, a serem entregues nas prefeituras,
para que os princípios constitucionais sejam cumpridos.