ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 07/08/2023

“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”: ditados populares são transmitidos de geração em geração como ferramenta de ensinamento social base-ado no senso comum. Essa percepção dialoga com a atualidade, visto que esse “co-nhecimento” é utilizado como justificativa para omissão em casos de violência do-méstica, contribuindo para a perpetuação desse comportamento. Com base nesse viés, faz-se necessária a análise da persistência da violência contra a mulher na so-ciedade por meio da banalização e ineficiência estatal.

Inicialmente, é válido reconhecer que o panorama supracitado é subproduto de uma cultura que trivializa o abuso. De acordo com a socióloga Hannah Arendt, isso acontece através da falta de questionamento na reprodução de comportamen-tos agressivos que foram herdados de gerações anteriores. Seguindo essa linha de pensamento, essa normalização dificulta o reconhecimento do ciclo de violência e, caso seja reconhecido, é tratado com trivialidade. Desse modo, crianças expostas a essa situação internalizam e repetem o que viveram no âmbito familiar, sejam como vítimas ou agressores, em relacionamentos futuros.

Simultaneamente, é notório que a ineficiência estatal é um fator que corrobora para esse cenário contraproducente. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, mais da metade dos processos embasados na lei Maria da Penha não foram julgados. Isso acaba ampliando a vulnerabilidade da vítima, que não é aco-lhida rapidamente o suficiente para impedir a reincidência do abuso do agressor. Assim, a perspectiva da situação em que se encontra torna-se permanente, o que desestimula a denúncia.

Dessarte, são essenciais medidas operantes para a redução da persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Para tanto, urge que o Poder Ju-diciário - em seu papel de julgar e aplicar penalidades - aja com a maior eficiência possível, priorizando o bem estar da vítima. Essa ação pode se concretizar através da identificação e eliminação de gargalos processuais, para agilizar e simplificar o trâmite processual, com a finalidade de julgar e punir os agressores. Dessa forma, garante-se que mulheres vulneráveis sejam atendidas e acolhidas para romper com o ciclo de violência atual e evitar que se repita nas próximas gerações.