ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 12/08/2023

No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, os desafios para combater a violência contra a mulher. Isso é causado pela irracionalidade e pelo silenciamento midiático, fatos que perpetuam esse problema.

Efetivamente, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação a pouca importância dada ao aumento da violência contra a mulher no Brasil, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou as violências diariamente relatadas por mulheres que sofrem violência física, doméstica e sexual e, sendo assim, não dá a devida atenção para a exclusão que tal exigência causa. Por conseguinte, muitas mulheres no país vivem situações degradantes, como problemas psicológicos, por exemplo.

Além disso, de acordo como o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob essa ótica, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de conhecimento do povo sobre a importância de políticas públicas que proíbam a violência e o feminicídio contra as mulheres, prefere não se posicionar sobre o tema, uma vez que grande parte dos espectadores da imprensa compõe camadas sociais privilegiadas que não sofrem com o problema supramencionado. Consequentemente, a falta de respeito e empatia contra a mulher se perpetua no Brasil.

Portanto, fica a cargo das ONGs feministas criarem campanhas informativas em plataformas de “streaming”, como YouTube, Netflix e tiktok. Isso deve ocorrer por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos sobre a persistência da violência contra a mulher. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente a irracionali-dade, mas também o silenciamento dos fatos, contrapondo o elucidado por Arendt