ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 11/09/2023

Sob a visão de Hanna Arendt, o pior mal é aquele tratado como parte do cotidiano em nosso meio. Certamente, a filósofa viria sua infeliz afirmação ser confirmada na sociedade brasileira, uma vez que cotidianamente casos de violência contra a mulher são naturalizados. Desse modo, pode-se destacar o silenciamento social e a insuficiência legislativa como fatores que fortalecem esse revés.

Nesse âmbito, a baixa expressividade na mídia insere-se como obstáculo à segurança da mulher. Evidentemente, é necessário se pautar a omissão de algumas mazelas sociais, as quais encobrem os problemas corriqueiros. Tal colocação expressa pelo filósofo Karl Marx converge com o silenciamento da mídia, dado sobretudo a baixa exposição de casos - exceto os polêmicos - permite a continuidade da questão, de modo que aqueles que não aparecem em noticiários são vulnerabilizados pela baixa ação de combate e acompanhamento da própria comunidade. Logo, enquanto a visibilidade não for coletiva, as vítimas sofrerão em silêncio.

Outrossim, vale ressaltar que a execução legislativa no país é falha. Nesse viés, a obra literária “Cidadão de papel”, apresenta um cidadão detentor de direitos, porém realizados apenas em teoria. Tal cenário, em meio à realidade nacional, equipara-se com a própria Constituição Federal de 1988, que, também pela teoria, não deveria comporta-se como antítese em seu dever de prover a segurança, ou seja, a constante permanência de casos de agressão à mulher é resultante da incompetência do próprio Estado em efetivar seus promulgados. Assim, enquanto tal cenário não for contornado, a posição de detentor de direitos não terá significado.

Portanto, medidas interventivas devem ser tomadas. Cabe ao Governo Federal - órgão de máxima capacidade no país - formas um novo banco de dados de livre acesso, por meio de matérias físicas e digitais, a qual sejam inseridos os casos de violência contra a mulher em cada região, a fim de desconstruir o silenciamento. Ademais, deve-se formar um novo grupo de ação nas ruas - recebendo o devido preparo para abordagem e ação - a qual usem os dados para monitorar a situação dos locais com mais ocorrências. destarte, o “pior mal” será revertido.