ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
Enviada em 26/08/2024
Durante a Revolução de 1930, os paulistas, insatisfeitos com a perda do poder político que haviam detido durante a República do Café com Leite, aproveitaram a ausência de uma constituição para se rebelar contra o governo de Vargas. Diante das pressões, o presidente, em resposta, garantiu na nova Constituição um direito inédito para as mulheres: o direito ao voto. Entretanto, a inclusão da mulher na sociedade como cidadã não foi suficiente para erradicar o pensamento machista que há séculos permeia o Brasil, como fica evidente nos alarmantes índices atuais de violência contra a mulher.
Segundo o Mapa da Violência de 2012, o número de mulheres assassinadas no Brasil aumentou 230% entre 1980 e 2010, e 7 em cada 10 mulheres que contataram o Ligue 180 relataram violência por seus companheiros. No Afeganistão, mulheres que traem são apedrejadas até a morte, e embora isso nos cause horror, um país que triplica o número de mulheres mortas em 30 anos merece igual reprovação. Embora se espere que a mentalidade popular evolua, o Brasil mostra um crescente atraso na igualdade de gênero, resultando em fatalidades inaceitáveis no século XXI.
Uma pesquisa da Rede Globo revelou que mais da metade dos homens e mulheres entrevistados acredita que mulheres que vestem roupas curtas merecem ser abusadas sexualmente. A violência contra a mulher começa com as regras implícitas que a sociedade impõe: se uma mulher não as segue, é vista como merecedora de violência. Assim, apesar dos direitos conquistados pelas mulheres, normas culturais transmitidas entre gerações perpetuam o pensamento conservador e machista, justificando as atrocidades físicas e psicológicas cometidas contra elas.
Muitas mulheres, presas a longos relacionamentos, aceitam a violência e não buscam ajuda. A mudança exige que as mulheres resistam ao pensamento machista, que terceiros denunciem casos ao Ligue 180, e que a atual geração abandone a ideia de inferioridade feminina. A transformação precisa começar agora para que as futuras gerações vivam em uma sociedade igualitária.