ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 28/10/2024

A obra ‘‘Segunda classe’’ de Tarsila de Amaral aponta para a existência de uma subclasse que fica às margens dos direitos essenciais à dignidade humana. De maneira análoga, a persistência da violência contra a mulher mostra a marginalização desse grupo na sociedade brasileira, visto que há um aumento crescente na sua perpetuação. Assim, torna-se imperioso observar a discriminação de gênero e a inércia governamental como pilares fundamentais da problemática.

Dessa forma, em primeira análise, cabe destacar o preconceito enraizado no ideário popular de que as mulheres são inferiores. Sobre isso, tal estigma dentro da sociedade patriarcal fomenta uma omissão social que naturaliza a violência doméstica, uma vez que frases como ‘’na briga de marido e mulher não se mete a colher’’ tornaram-se justificativas para a falta de amparo das vítimas. Por conseguinte, o panorama de violência contra a mulher é viabilizado porque o agressor recebe respaldo social à medida em que a vítima é desincentivada a denunciar, assim, o resultado é alarmante: mais de 40 mil mulheres foram vítimas de femínicidio na última década de acordo com o Mapa da violência.

Ademais, convém culpabilizar a ineficiência da máquina estatal no que tange o cenário de de violência doméstica no Brasil, pois apesar das leis de proteção à mulher existirem, a burocracia envolvida no processo de denúncia e julgamento do agressor gera impunidade. A esse respeito, para Thomas Hobbes, o ser humano abdica de sua natureza animalesca em troca de proteção pelo Estado por meio de um contrato social. Porém, nesse viés, o Estado falha em proteger as mulheres, dado que a dificuldade burocrática faz com que muitas mulheres desistam de denunciar, ou apesar de haver denúncia continuam a ser violentadas e até mesmo assassinadas na espera de justiça.

Portanto, conclui-se que medidas são necessárias para alterar o cenário da continuidade da violência contra a mulher no Brasil. Para tanto, cabe ao MEC conscientizar sobre a importância do combate à desiguldade de gênero na luta contra violência doméstica, por meio de palestras com depoimentos de vítimas objetivando desnaturalizar a cultura de violência doméstica no Brasil. Assim, as mulheres estarão mais perto de sair da condição de subclasse.