ENEM 2015 - A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enviada em 02/06/2025

No livro “Teto para dois” de Beth O’Leary, a protagonista se relaciona com um homem que tenta - e por vezes consegue - violentá-la de forma física, psicológica e verbal. Esse cenário ocorre com inúmeras brasileiras, as quais - infelizmente - enfrentam a violência de gênero em suas rotinas. A situação continua sem mudanças por conta do machismo estrutural e da falta de políticas públicas eficientes.

Em primeira instância, é imprescindível relatar como o papel histórico da mulher ainda repercute nos dias atuais. Antigamente a esposa ou filha era posse do homem e todas as decisões importantes eram tomadas pro ele. Mesmo que no mundo contemporâneo, legalmente, o gênero feminino não seja mais visto dessa forma, muitos cidadãos continuam com a visão de que mulheres são tão posse deles como seus bens materiais e isso é demonstrado pela pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: trinta milhões de mulheres já foram assediadas ou abusadas, a maioria dos casos no ambiente familiar.

Outrora, nota-se que mesmo que leis contra a violência dirigida a mulheres existam no país, elas são insuficientes. A legislação mais conhecida nesse âmbito é a Lei Maria da Penha, criada em homenagem a uma senhora, a qual, sabendo que denunciar o marido por agressão não seria o suficiente, resolveu denunciar o Estado por omissão. Apesar de seu enorme impacto social e de ser efetiva em diversos casos, ela não solucionou todo o problema, pois diversas mulheres ainda passam por ocorridos semelhantes.

Em suma, urge mudanças nos casos de violência contra o gênero feminino. Para isso, o Ministério das Mulheres - órgão governamental criado para assegurar políticas ligadas a esse público -, em conjunto a escolas e faculdades devem criar palestras, aulas extras e projetos de pesquisa, os quais mudem a visão social da mulher para além de posse masculina. O projeto deve atingir alunos, pais e professores. Também é necessário o fortalecimento das leis voltadas ao tema, as quais diminuam os casos que a mulher não tenha como se proteger do agressor.Dessa forma, casos como o do livro “Teto para Dois” não acontecerão mais.