ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 06/09/2019

No decorrer da história, houve numerosos conflitos e guerras com justificativas religiosas. Os resultados dessas guerras: centenas de civilizações destruídas, milhões de mortes registradas e perdas culturais e simbólicas inimagináveis. Tudo isso em nome de uma impositiva e tirânica causa religiosa. Apesar de o passar dos séculos após essas guerras, em que o advento do iluminismo descentralizou a crença em um Ser soberano que regia sobre tudo, avanços tecnológicos e informacionais e a valorização central no homem, a intolerância religiosa é nociva e pode trazer mazelas devastadoras para uma nação.

Em primeiro lugar, é importante destacar o que um país democrático garante à sua população. Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, em uma sociedade com leis constitucionais fortes e estruturadas bem relacionadas com a população é possível garantir educação e liberdade. As leis brasileiras asseguram aos seus cidadãos o direito de manifestarem a própria fé religiosa, promovendo, assim, a liberdade individual. No entanto, há ainda uma parcela da população que age com violência física e discrimina o seu semelhante por meio de preconceito e sentimento faccioso, a exemplos grotescos de que todo islamita é terrorista, todo ateu é amaldiçoado ou que todo cristão é ignorante por ser dizimista prejudicando, assim, a liberdade dos demais indivíduos que professam uma fé diferente. Condutas violentas e antiéticas como essas devem ser punidas no rigor da lei.

Por conseguinte, há uma necessidade de conscientização e educação da população devido a confusão que muitos cidadãos fazem entre os limites da liberdade de expressão e o discurso de ódio, em especial o religioso. Uma sociedade grandemente democrática demonstra grande igualdade social, em consonância com a liberdade individual. Os descréditos resultantes da intolerância religiosa e, portanto, falta de liberdade, estão gravados na história, a exemplo dos nazistas na Alemanha, liderados por Hitler, que perseguiu judeus e ciganos. O resultado foi atroz: milhares de famílias destruídas, prejuízos econômicos e políticos incomensuráveis, deixando uma marca negativa enorme na história. Conclui-se que o debate sobre intolerância religiosa é um tema plausível.

Portanto, é fundamental que o governo promova ações destinadas a melhorar o convívio da população religiosa, além de garantir tratamentos de apoio para as vítimas de violência por conta da escolha religiosa pessoal. Como agente, o Governo deve incumbir o Ministério de Educação e Cultura na formação de cidadãos conscientes e críticos a respeito do tema de liberdade e religião, através de disciplinas de sociologia e filosofia debatidos por professores capacitados. Somente assim, será possível combater a intolerância religiosa e a violência inerente, ademais, estabelecer harmonia entre a liberdade de expressão e o respeito ao próximo, na construção de cidadãos conscientes e fraternos.