ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 11/09/2019
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2010, mais de quarenta grupos religiosos estavam registrados, dado que demonstra a pluralidade do país no quesito de crenças; contudo, é perceptível que nem todas elas usufruem de um pleno exercício, devido aos inúmeros ataques e perseguições que sofrem. Dessa forma, a sistemática caça a religiões de matriz africana possui uma motivação inerentemente racista. Ademais, a priorização de uma verdade, por deveras vezes, cega o indivíduo e produz um fanatismo.
No Brasil Colônia, em ordem para dominar os escravos e desligá-los de suas terras, uma medida amplamente utilizada foi a proibição da prática de culto, na qual empregavam ações excessivamente violentas para sua ratificação. Desse modo, mesmo passados 150 anos do fim do regime escravista, hoje, ainda constata-se, em alto grau, a existência de tais agressões, todavia, não mais legitimadas pelo Estado, e sim reproduzidas pela população. Nesse quadro, destaca-se o caso de Mãe Gilda, líder de um terreiro de Candomblé, que, em 2000, faleceu após sofrer uma série de violências e difamações, desencadeadas por um jornal de uma igreja evangélica. Logo, é evidente que o racismo presente no cerne da nação marginaliza e depreda o direito de existência das religiões afro-brasileiras, visto que são as maiores vítimas da intolerância, mesmo que seus fiéis representem menos de 2%, conforme o IBGE.
Outrossim, é imprescindível ressaltar o papel de sustentação e desenvolvimento que a religião, frequentemente, possui na vida das pessoas, entretanto, quando não estipulados os devidos limites, ela pode gerar relações pouco saudáveis e danosas à sociedade. Dessa maneira, diversas motivações são fabricadas a fim de impor um crença e invalidar as demais, uma vez que, de acordo com Joseph Campbell, “a mitologia é o nome que damos às religiões dos outros”. Dessarte, a Ku Klux Klan, o Nazismo e até o atual medo ocidental de islâmicos são construções advindas de fortes sentimentos fanáticos, que buscavam e buscam eliminar aquele que é codificado como diferente. Por isso, o fanatismo, sobretudo o religioso, não causa somente danos aos demais indivíduos, mas a si próprios, posto que tornam-se escravos de um sistema e manisfestam sintomas de um quadro psicótico.
Portanto, a fim de minorar os impactos de um recente passado e permitir o acesso a uma isonomia, o Governo Federal deve desenvolver um política de asseguração da liberdade de culto. Desse jeito, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, precisam atuar dentro do espaço escolar, incentivando a elaboração de currículos sobre diversidade religiosa, em conjunto com as famílias, através de cursos concebidos ao corpo docente sobre o tema, além da distribuição de cartilhas, pelos professores, nas comunidades, sobre intolerância e discriminação religiosa. Assim, é possível garantir a pluralidade.