ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 14/09/2019

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas queriam “purificar” a “Raça Ariana”, a única com o direito de dominar o planeta. Sob esse viés, uma das formas de alcançar isso era a caça aos judeus, devido à opção religiosa destes. De maneira semelhante, em menor grau, é recorrente na sociedade hodierna brasileira, esse tipo de intolerância, em que alguns indivíduos não respeitam as crenças do próximo, o que afeta gravemente a dignidade humana e liberdade de escolha. Diante disso, cabe analisar não só o fator que colabora com esse comportamento, mas também como é intensificado e perpetuado.       A princípio, vale ressaltar a dificuldade que existe nos seres humanos em aceitar o desconhecido. Acerca disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) prescreve que todos são iguais e cada um deve ser tratado com espírito de fraternidade. No entanto, isso não pode ser constatado na prática, visto que em 2018 foram recebidas 506 denúncias no tocante a incompreensão espiritual, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Nesse sentido, pode-se dizer que o número desses casos é muito maior, já que boa parte dos padecentes ficam amedrontados em incriminar o ofensor. Dessa forma, nota-se que uma declaração não é o suficiente para dar fim a essas ocorrências.

Além disso, é notório destacar qual é o processo responsável pela segregação e perpetuação desse cenário. A esse respeito, o psicólogo Adler, criador da teoria adleriana, afirmou que um dos requisitos para um ser humano se sentir feliz, é a sensação de pertencimento social. Seguindo tal lógica, é possível depreender que as pessoas vítimas da rejeição não conseguem vivenciar a experiência de ser integrante de fato da sociedade. Somado a isso e ao preconceito, tal acontecimento pode levá-los a desenvolverem problemas psicológicos. Por conseguinte, esses cidadãos estão sujeitos à exclusão comunitária e ao regime chamado pela filósofa Hannah Arendt de “Banalidade do mal”, no qual esses insultos tornam-se algo comum se forem reproduzidos pelos demais, sem capacidade reflexiva.

Portanto, são necessárias medidas capazes de atenuar tamanha problemática. Por isso, é fundamental que o Ministério da Educação em parceria com as escolas incentivem a promoção de eventos que tratem sobre a intransigência religiosa, por meio de debates e palestras realizadas no âmbito escolar. Para ser concretizado, é crucial que o local seja aberto ao público e ministrado por professores, em especial de Sociologia e Filosofia, para discutirem questões sociológicas e éticas. A finalidade é diminuir gradativamente os índices de incomplacência, assim como alertar ao corpo social os impactos negativos de tais atitudes e fomentar o ato de delatar os agressores. Com isso, espera-se que os mesmos erros cometidos por Hitler não sejam praticados no contexto nacional.