ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/09/2019

Antes de o Brasil ser uma nação de fato, já foi plantada em seu “berço esplêndido” a intolerância religiosa. Na colonização, escravos africanos tiveram de associar santos católicos a seus orixás e entidades, pois não poderiam ser vistos manifestando suas práticas de culto. Não a toa, ainda hoje os que mais sofrem o preconceito religioso são os mesmos dois grupos: religiões de matriz africana e cristãos, portanto se faz mais que necessária uma mudança de mente a fim de que este problema tenha fim.

Primeiro, há que se compreender que quando os portugueses vieram a América no século XVI, veio junto deles a Igreja Católica - através da missão jesuíta - tudo isso permeado por uma mentalidade imperialista dos colonizadores que usavam a religião como pretexto para manipular os nativos a favor dos interesses da Coroa. Infelizmente, o pensamento eurocêntrico de que os costumes culturais e de crença dos estrangeiros era melhor que daqueles que aqui viviam foi incutido e fomentado.

Centenas de anos adiante, depois fundamentadas as ideias de superioridade cultural e religiosa, os brasileiros seguiram a mesma trilha, as igrejas católicas e evangélicas pregam, por vezes, contra as práticas do candomblé, umbanda, ao invés de, ainda que discordando, respeitar.

Diante do exposto acima, fica claro que a falta de tolerância religiosa no Brasil é um problema de mentalidade e um dos principais caminhos para combatê-lo é o diálogo. Quando crianças e adolescentes forem estudar sobre o período colonial da América Portuguesa e a escravidão, este assunto deve ter ênfase, os professores devem também ensinar a serem respeitosos tendo em vista a história de cada um desses povos. As igrejas e os terreiros são parte importante do processo, precisam juntos conversar e encontrar saídas para o entendimento e tolerância mútua através de fóruns e discussão e encontros inter-religiosos. Deste modo, tantos os de axé quanto os de amém, shalom e até os que não são de fé poderão conviver de forma harmônica.