ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 03/10/2019

Laicidade utópica

A Constituição de 1988 assegura os direitos dos brasileiros referente aos credos e cultos, garantindo a liberdade de expressar-se conformea própria cultura, bem como viés religioso. Entretanto, atualmente esses direitos não são vistos de forma eficaz na prática, pois, com o cristianismo em maioria no país, outras religiões sofrem perseguições e discriminação. Desse modo, torna-se cada vez mais desafiador combater a intolerância religiosa, uma vez que é intrinsecamente estrutural-política.

A princípio, convém analisar como foi dada a construção da brasilidade, a qual advém de uma miscigenação. Nesse sentido, Gilberto Freyre, escritor de ciências sociais – como se autodenomina, dissertou o livro Casa Grande e Senzala, cujo enredo demonstra que toda a cultura das matrizes africanas eram sufocadas e impostas à margem da sociedade. Assim, Freyre exibe o darwinismo social que corroborava a superioridade branca no século XX, a qual infelizmente existe até hoje. Sob essas perspectivas, ocorre o detrimento das religiões, que juntas às maneiras de perpetuação do preconceito racial, ressaltam a precária percepção da identidade nacional, visto que, é claramente multicultural e multirracial. Por conseguinte, é notória a utopia da laicidade no Estado brasileiro, onde urge a necessidade de reversão do quadro.

Ainda no tocante às práticas de discriminação, pode-se destacar a raiz política da problemática, pois, ao perpassar distintos governos, a representatividade sempre foi condizente à proporcionalidade cristã, logo, as minoria étnicas raramente ganharam foco. Além disso, ao adentrar nos fatores sócio-políticos, nota-se a discrepância reverberadora de ideais, uma vez que, no senso comum não se faz analogias entre política e religião – consolidados aos ditos populares de que não se deve discutir e associar esses assuntos. Isso leva à uma contradição, porque há uma “bancada evangélica” no poder legislativo, a qual recorrentemente propõe medidas em prol de seu próprio benefício e conforme seu discernimento. Ademais, essa realidade é incondizente com a ética e a moral de políticas públicas, ou seja, que é feita para a população como um todo.

Ante o exposto, debruçar-se sobre esses impasses é imprescindível para mitigar o problema. Assim, cabe ao Governo Federal proporcionar maior poder ao Ministério da Segurança, com o fito de aumentar a atuação para garantir que leis já vigentes de apoio à liderdade religiosa sejam colocadas em prática, tornando efucaz esse direito ao cidadão. Não obstante, a mídia por meio de novelas deve causar reflexão na sociedade acerca dos entraves e injustiças geradas pela falta de tolerância religiosa. Poder-se-á, assim, sanar o problema agindo nas raízes dessa utopia e garantir o respeito e o bem-estar.