ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 06/10/2019
Durante o período colonial brasileiro, os portugueses subjugaram vários aspectos da cultura dos nativos, especialmente o religioso. Apesar de a Constituição Federal de 1988 garantir a liberdade religiosa a todos os cidadãos, parte da população brasileira continua a sofrer ofensas por causa de suas crenças pessoais. Tal cenário persiste devido ao preconceito enraizado na sociedade brasileira e à “liquidez” das relações contemporâneas. Esses comportamentos precisam ser analisados para que se combata a intolerância religiosa.
É imprescindível ressaltar que o preconceito e a falta de tolerância são males culturais brasileiros. Desde o período da escravidão, a população afro-brasileira tem suas religiões desrespeitadas no Brasil. Segundo John Locke, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. No que tange aos crimes contra o sentimento religioso, essa máxima reitera o fato de a intolerância começar no ambiente familiar, no qual os anciãos imprimem nos jovens seus sentimentos preconceituosos quanto a outras crenças.
Paralelamente a essa comportamento cultural, é necessário destacar que as relações hodiernas são “líquidas”. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, um dos desafios da sociedade pós-moderna é o individualismo, o qual induz o ser humano a possuir relacionamentos efêmeros e que podem ser desfeitos com facilidade. Nesse passo, quando o indivíduo não considera o seu próximo, ele está sujeito a desrespeitar seus pensamentos e escolhas. No âmbito religioso, as agressões físicas, verbais e psicológicas são consequências dessa tese.
Torna-se evidente, destarte, que, para que a intolerância religiosa seja combatida, é necessário que se mude a cultura de preconceito enraizado no país. A fim de que ocorra essa mudança, urge que o Ministério da Educação promova palestras semestrais nas escolas, com a presença de representantes de diversas religiões, com o intuito de ensinar os mais jovens sobre as diferenças entre elas e sobre como respeitá-las. Com a efetivação dessas medidas, o comportamento colonial será abandonado e a Constituição Federal será obedecida.