ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 08/10/2019
Na obra " A condição humana", a filósofa alemã Hannah Arendt discorre sobre a necessidade dos indivíduos serem habituados a conviver com as diferenças, posto que a diversidade é completamente inerente á condição humana. No entanto, ao analisar a real conjuntura, percebe-se que essa assertiva, embora correta, não integra a realidade brasileira, tendo em vista a demasiada recorrência de práticas discriminatórias contra grupos e segmentos religiosos. Diante desse panorama nefasto e inconstitucional, é irrefutável que a efetivação de políticas públicas mais ostensivas, bem como o posicionamento incisivo das instituições formadoras de opinião tornam-se imprescindíveis para o combate à intolerância religiosa no Brasil.
Em primeiro plano, convém ressaltar que, conforme o historiador brasileiro Caio Prado Júnior, a melhor forma de compreender o Brasil contemporâneo é por meio da análise de acontecimentos passados. Nessa perspectiva, infere-se que o atual cenário de intolerância religiosa tem raízes históricas e remonta o período de colonização, no qual as religiões de matriz africana eram comumente depreciadas, e o seus adeptos compelidos à adesão ao catolicismo,considerado majoritariamente superior. Embora datado de séculos atrás, a manutenção de esteriótipos que inferiorizam e caracterizam, de forma pejorativa, as demais religiões -sobretudo as afro-brasileiras- surge como mola propulsora para reincidência de práticas discriminatórias e intolerantes no Estado brasileiro.
Em segundo plano, é imperioso destacar que a perpetuação desse quadro de intolerância evidencia a ineficácia do poder público- principalmente da esfera executiva- em garantir a formação de indivíduos conscientes e responsáveis. Nessa lógica, parafraseando o renomada pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação detém um caráter libertador, altamente capaz de estimular o pensamento crítico e promover uma cultura de paz.Seguindo esse raciocínio, conclui-se que o ensino nacional é ineficiente e descumpre sua função social, o que culmina em práticas intolerantes, que tolhe o direito à liberdade religiosa, previsto na Constituição Federal, promulgada em 1988.
Despreende-se, portanto, que a intolerância religiosa deve ser combatida no território nacional. Para isso, cumpre ao Ministério da Educação, ramo do Estado responsável pela formação civil, erradicar os esteriótipos oriundos da colonização, por meio do desenvolvimento de projetos educativos nas instituições de ensino, que abordem a temática de forma lúdica em aulas de história e em palestras educativas, que envolvam não apenas o corpo discente, mas toda a comunidade acerca da diversidade religiosa e da importância em se respeitar todas elas. Assim, a ideia de Arendt se concretizará no país.
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