ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 09/10/2019

Que brotem os lírios

No limiar do século XXI, o Brasil convive com o desafio de enfrentar a violência gerada pela intolerância religiosa. Nesse sentido, é fundamental a garantia da laicidade do Estado. Portanto, não se deve alegar o direito de liberdade de expressão como forma de legalidade à agressões aos que tem crenças diferentes.

Primeiramente, a liberdade de escolha religiosa é uma garantia constitucional o que permite escolher ter ou não qualquer religião. Entretanto, segundo dados do instituto de pesquisa da USP, 47% dos tupiniquins não concordam com o Estado laico, isso leva a uma situação conflitante que se traduz em mais de dez denúncias mensais por atos de violência ligadas a religião, e as mais afetadas são as de matriz afro-brasileiras. Logo, é necessário que as pessoas hajam com mais alteridade respeitando a liberdade de outrem, para assim, resguardar a sua.

Em outro ponto, segundo a jurista Cármen Lúcia, o direito de se expressar não pode impactar em usurpar a liberdade de outrem. Partindo dessa premissa, entender que as críticas são legítimas e pertinentes, desde que, não haja a imposição de pensamentos e nem venham a implicar em desrespeito aos direitos humanos. Afinal, aceitar a escolha do outro é garantia da própria escolha.

Por fim, parafraseando o poeta Carlos Drummond, as leis não bastam, pois, as leis não fazem os lírios. Partindo dessa égide, é necessário que os próprios líderes religiosos durante seus encontros, através de seus sermões reforcem para os seus seguidores a importância de respeitar as religiões, qualquer que sejam, para que todos sejam livres em suas crenças. Com isso, a sociedade verde e amarela poderá gozar dos preceitos de liberdade religiosa prevista na sua Constituição.