ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 12/10/2019

De acordo com o filósofo John Locke, as pessoas devem ser livres para praticar qualquer religião. Essa, por sua vez, não deve estar relacionada ao Estado, e merece respeito e tolerância por parte dos outros. Contudo, tendo em vista acontecimentos como os da Segunda Guerra Mundial e a catequização dos índios no Brasil, ambos marcados por forte intolerância religiosa, esse pensamento se torna inválido. O mesmo raciocínio se aplica à atual sociedade brasileira, haja vista que de acordo com dados do Balanço Anual do Disque 100, só em 2018 foram registradas mais de 500 denúncias por intolerância religiosa.

A atual constituição do Brasil, determina que o Estado é laico, e assegura, portanto, a liberdade religiosa. Em contrapartida, ela também concede à população, por meio do direito à liberdade de expressão, a possibilidade de criticar e discordar de determinada crença. Dessa maneira, se torna comum que as pessoas usem desse direito para difamar e humilhar certas religiões, chegando a agir violentamente com os fiéis, e até mesmo a impedir a realização de cultos, o que poderia ser considerado um crime contra o sentimento religioso.

Aliado à isso, esse tipo de intolerância é impulsionada pelo desconhecimento de outras culturas. Essa alienação faz com que as pessoas se voltem cada vez mais para suas próprias crenças, desenvolvendo com o passar do tempo, uma aversão à tudo que é diferente e se encontra desconectado de seu cotidiano. Segundo informações da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, essa aversão ocorre sobretudo com religiões de origem afro-brasileira, que por sua vez quase nunca são socialmente abordadas, de modo que se tornam desconhecidas pela maioria das pessoas, gerando equívocos e pré-conceitos sobre o assunto.

Dessa forma, tendo em vista os fatos supracitados é necessário que o MEC, por meio das escolas, se empenhe em conscientizar os alunos através da implantação do ensino religioso nas grades curriculares do ensino fundamental. As aulas devem proporcionar aos estudantes conhecimentos amplos sobre os diferentes tipos de religiões praticadas em território nacional, contribuindo assim, para a diminuição da intolerância no Brasil, a fim de que cumpra-se integralmente o direito à liberdade religiosa previsto na constituição.