ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 04/01/2020

É inegável que, historicamente, o brasileiro é um povo cristão, mas acima disso é altamente religioso. A mesma pessoa que frequenta uma igreja cristã, comemora a festa de Iemanjá, vai ao centro espírita, visita uma benzendoura, etc. Contudo, a intolerância religiosa não diminui. Apesar da nossa atual Constituição garantir a laicidade estatal, algumas incongruências ainda ocorrem, o que favorece a incompreensão do povo e alimenta a intolerância. A confusão entre escola confecional e pública também garante a perpetuação desse mal.

A Constituição Imperial de 1824 previa o Catolicismo como sua religião oficial. De lá pra cá, algumas situações como: feriados nacionais em datas comemorativas cristãs; concursos públicos para padres e pastores (líderes religiosos cristãos) trabalharem como oficiais militares capelães; maioria esmagadora das repartições públicas, inclusive no Congresso Nacional, com objetos, imagens ou símbolos religiosos; põem em jogo o Estado laico, o que confunde a população. Estatísticas mostram que as religiões afro-brasileiras figuram como as principais vítimas da intolerância religiosa e que 20% das lides religiosas chegam as vias de fato. A mudança tem de vir de cima. Não por menos, que, apesar de 86% dos Deputados Federais pertencerem a bancada cristã, já existe previsão no Código Penal do crime contra o sentimento religioso.

Outro ponto interessante a se considerar é o ensino em nossas escolas públicas. Apesar do seu critério facultativo pela Lei de Diretrizes Básicas da Educação, na prática há uma obrigatoriedade e ocorre uma verdadeira doutrinação por parte dos docentes que, ao invés de repassar conceitos gerais dos mais diferentes credos ( o que ajudaria em sua compreensão), repassam a sua própria religião. É certo que a intolerância é uma arma da autoafirmação, a medida que o intolerante acredita ser o dono da verdade. Para exterminar com isso, devemos ensinar a ciência da religião contendo todas elas, e não doutrinação religiosa.

Com isso, apesar da nossa herança histórica religiosa, devemos garantir a laicidade do Estado, devendo os governos (federal, estadual e municipal) além de outras medidas, adotar: o fim dos feriados religiosos; ampliação do cargo de capelão militar pra líderes de outras religiões; retirar todos os objetos, imagens ou símbolos religiosos de repartições públicas; garantir o ensino facultativo de ciência da religião, de uma forma ampla. Sendo certo que somente assim modificaremos a ideologia da intolerância religiosa no Brasil.