ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 26/03/2020

O filme documentário “A Luta Sagrada”, do diretor Filó Filho, reúne representantes de múltiplos segmentos religiosos de matriz africana, que doam seus depoimentos sobre a intolerância religiosa que sofrem diariamente, citando com clareza casos de agressão física, destruição de propriedade e assédio moral. Sob o mesmo ponto de vista, é possível dizer que a intolerância religiosa é uma das mais destacadas formas de desrespeito aos direitos humanos e a liberdade individual. Dessa maneira, cita-se que a intolerância religiosa é baseada em uma colonização problemática brasileira e a hegemonia de crença na sociedade.

Em primeiro lugar, é importante frisar que o Brasil cerca de 300 anos escravizando pessoas de origem africana. Segundo o historiador Maurício Goulart em seu livro “Escravidão Africana no Brasil”, cerca de 3,5 milhões de africanos foram escravizados no Brasil e que foram proibidos de cultuar sua religiosidade em terra brasileiras, onde seus deuses e crenças eram demonizados. Desta maneira, é possível enxergar o impacto que o sistema escravocrata do Brasil Colônia possui hodiernamente, onde a população considera crimes do passado como a verdade absoluta atual.

Em segundo lugar, considera-se ressaltar que, com complicada colonização brasileira apresenta-se também a hegemonia sobre uma crença na sociedade. De acordo com dados do IBGE 65% dos brasileiros se declaram católicos e apenas 1,9% da população declara ter fé em uma religião afro-brasileira. Deste modo, a partir de informações do Disque dos Direitos Humanos, religiões como o Candomblé e a Umbanda (ambas de matriz africana), foram as que mais sofreram com intolerância religiosa em 2018. Tais casos provém da convicção da maior parte das estatísticas que somente o seu ponto de vista religioso é o correto e aceitável.

Em síntese, o princípio da intolerância religiosa no Brasil se encontra na composição escravista do Brasil Colônia e na preponderância nas crenças da população. Desse modo, para que a problemática ganhe um fim, é necessário que o Ministério da Educação tome a responsabilidade de educar as gerações futuras sobre religiões presentes no Brasil e suas origens. Tais ações podem ser concretizadas por meio da presença obrigatória de aulas de história sobre religiões nas salas de aula, tanto privadas quanto públicas, de todo o território do país. A princípio, as aulas deverão ter conteúdo majoritário sobre as religiões atualmente marginalizadas, para que assim, documentários como “A Luta Sagrada” não sejam mais necessários para denunciar a intolerância religiosa velada no país.